Em tempo de cravos, espeto de pau: a demolição de grão a grão e nem galinha nem pão

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Não falarei sobre o sol maravilhoso que inunda o nosso Algarve. Mas digo desde já, o tempo está fantástico. Eu gosto. Vou escrever sobre cravos e ferraduras. Estamos em tempo de cravos. Olho à volta e avistam-se poucos cravos e muitos espetos de pau. Sim estou a falar da Ria Formosa.

Vou chamar a atenção para a marcha lenta de 8km até à Ilha de Faro, contra as demolições, num dia em que já apetecia veraneio. Vi a senhora Liliana na televisão. A Liliana que é cidadã e mãe, que pagava IMI e perdeu a sua casa na Ilha de Faro, como se não tivesse direito à habitação e como se fosse uma cidadã de segunda categoria. Como se segunda categoria existisse! Isto em plena II República, num estado de direito.

Na minha humilde opinião, um estado de direito que considera alguns dos seus cidadãos como de segunda categoria é um estado torto. Não há direito. Como havemos de endireitar uma coisa que está torta?
Além disso, estou desagradada porque o meu nome não consta na lista de contribuintes especiais. Eu sou uma pessoa especial desde que nasci. Sempre me disseram isso (desde pequena!) e eu acreditei. Não entendo.

A Senhora Dona Liliana, que perdeu a sua única habitação, também não está na lista especial de contribuintes. Pagava IMI. Não se esqueceu de pagar coisa nenhuma. Ficou sem casa.

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Aquela malta que estava com cravos na mão em Évora podia ter vindo também ao Algarve bater palmas à marcha lenta até à Ilha de Faro. Podiam ter trazido os cravos. Estava bom tempo. Não vieram. Não percebo estas coisas. Não percebo nada disto, mas parece-me que o direito está torto e não há direito.

Selma Nunes

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