Aldeia do Sanacai recebe Comunidade Cigana da Orada

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A passada quinta-feira, 13 de abril, foi dia de festa para uma comunidade constituída por 8 agregados familiares de etnia cigana, num total de 33 indivíduos, entre os quais 18 crianças e jovens, que após mais de 20 anos a viver sem qualquer tipo de infraestruturas e condições de salubridade receberam as chaves das suas novas habitações no sítio do Escarpão, na freguesia de Ferreiras.

Trata-se de um projeto-piloto que se enquadra na estratégia nacional para a integração das comunidades ciganas e que futuramente se pretende ver replicado em outras zonas do país.

A inauguração da “Aldeia do Sanacai” e a entrega das chaves às famílias decorreu durante a manhã da passada quinta-feira, 13 de abril, numa cerimónia que contou com as presenças da Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, do presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Carlos Silva e Sousa, da Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Albufeira, Patrícia Seromenho e da Diretora do Centro Distrital da Segurança Social de Faro, Margarida Flores.

Trata-se de um projeto de transição, de abordagem multidimensional e interdisciplinar, sendo que a ideia passa por dotar a comunidade das competências necessárias para que mais tarde os seus elementos possam ser integrados no mercado de trabalho, saiam da Aldeia e tenham a sua própria habitação.

A iniciativa surgiu na sequência de um protocolo assinado em novembro de 2014 entre a Santa Casa da Misericórdia de Albufeira (SCMA), a Câmara Municipal de Albufeira e a Junta de Freguesia de Albufeira e Olhos de Água com o objetivo de realojar a comunidade cigana da Orada que vivia, desde o início dos anos 90 num acampamento localizado num terreno pertencente à SCMA, em barracas sem saneamento, sem água canalizada e sem eletricidade.

Antes de receberem as chaves os representantes de cada família assinaram com a SCMA um contrato de prestação de serviços (documento que regula as regras de funcionamento, direitos e deveres dos utentes e respetivo agregado familiar) com base no qual irão receber, para além das casas construídas em pré-fabricado, acompanhamento psicológico, apoio psicossocial e um plano individual de integração socioprofissional. No âmbito do projeto, a Autarquia irá também assegurar o transporte das crianças que se encontrem a frequentar o ensino pré-escolar até ao final do 3º ciclo no percurso de ida e regresso da escola.

Patrícia Seromenho, que estava visivelmente feliz e emocionada, agradeceu a todas as entidades e aos parceiros do projeto com especial ênfase para a Câmara Municipal de Albufeira. “A Santa Casa foi responsável por desenhar o projeto em articulação com a própria comunidade cigana, mas a sua concretização só foi possível graças ao financiamento da Câmara Municipal, ao envolvimento do seu presidente que acompanhou o processo com bastante interesse e colocou à disposição da Santa Casa uma equipa técnica para o levar a bom porto”, disse. A responsável sublinhou que este projeto corresponde plenamente à filosofia de atuação da instituição que representa. “O objetivo é que ao longo destes 36 meses os adultos venham a adquirir as competências necessárias para integrar o mercado de trabalho, as crianças sejam alunos de sucesso e que graças aos rendimentos do vosso trabalho consigam ter direito a uma habitação permanente. Para isso precisamos do empenhamento da comunidade cigana, da compreensão da comunidade em geral e de habitações com valores equilibrados. A Aldeia vai funcionar como uma incubadora de competências, num trabalho diário entre uma equipa técnica (composta por assistentes socais, educadoras sociais, psicólogas e técnicas de ciência de educação) e os utentes com vista à sua autonomização. O que se pretende é que no futuro a Aldeia do Sanacai seja um polo de integração de novos agregados de etnia cigana, sendo a comunidade da Orada a pioneira de projeto de inserção sustentável com possibilidade de ser replicada a nível nacional”, frisou.

Integração foi de facto a palavra transversal a todos os discursos, bem como a ideia de que uma habitação condigna é o princípio básico para tudo o resto.

Carlos Silva e Sousa referiu que este é um projeto simples mas de enorme significado pois “o direito à habitação é um princípio constitucional e a palavra igualdade é muito bonita mas tem que ser exercida de facto”. Referiu que o local é um bocadinho distante, mas tem a vantagem de estar perto da natureza. “Mas hoje encurtamos distâncias porque antes estavam perto mas vivendo em barracas, sem o mínimo de condições. Espero que aqui tenham uma vivência feliz e que este seja um momento de transição para uma vida cada vez melhor”. O autarca referiu “todos acreditamos neste projeto porque a educação e a aquisição de novas competências são medidas altamente integradoras, quer para os adultos quer para as crianças e jovens desta comunidade que no futuro poderão ter uma vida melhor.

Catarina Marcelino, por sua vez, elogiou o projeto que considerou ter condições para vir a ser replicado noutras zonas do País, porque “tem em conta não só a habitação mas também a integração”. A governante fez questão de sublinhar que sem trabalho não é possível sair da pobreza “a integração pelo trabalho é a única forma de se ter autonomia e levar uma vida em liberdade”. Catarina Marcelino chamou a atenção para o facto de termos 11 milhões de habitantes, dos quais apenas 40 mil são pessoas de etnia cigana que temos a obrigação de integrar.Aldeia Sanacai Albufeira 2Aldeia Sanacai Albufeira 3Aldeia Sanacai Albufeira 4Aldeia Sanacai Albufeira 5Aldeia Sanacai Albufeira 6Aldeia Sanacai Albufeira 7Aldeia Sanacai Albufeira 8aldeiaAldeia Sanacai Albufeira 9Aldeia Sanacai Albufeira 10Aldeia Sanacai Albufeira 11Aldeia Sanacai Albufeira 12Aldeia Sanacai Albufeira 13Fonte: GCRPRI da CM de Albufeira

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