Projeto Magallanes ICC avança com Workshop sobre “A História do Algarve e a Primeira Globalização”

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No âmbito do projeto MAGALLANES_ICC – Centro de Empreendimento de Indústrias Culturais e Criativas, a Direção Regional de Cultura do Algarve promoveu, no dia 17 de novembro, um workshop sobre “A história do Algarve e a primeira globalização”, organizado por Rui Manuel Loureiro, professor do ISMAT, investigador do CHAM-NOVA, e coordenador da investigação histórica do projeto.

O workshop reuniu investigadores de várias universidades e centros de investigação portugueses, especialistas em diversas áreas historiográficas que abrangem os séculos XIV a XVII, e todos com relevantes publicações académicas no âmbito da história do Algarve.

A intervenção de abertura esteve a cargo de João Paulo Oliveira e Costa (FCSH-NOVA & CHAM/NOVA), que, destacando desde logo a especificidade histórica do “Reino do Algarve”, justificadora de uma análise historiográfica específica, traçou um informado balanço dos trabalhos de investigação e também das acções de divulgação que têm sido desenvolvidos nas últimas três décadas, no âmbito da temática “Algarve / Descobrimentos”. De seguida, durante duas sessões de trabalho, oito investigadores que têm investigado a história do Algarve apresentaram um balanço das suas próprias contribuições para a investigação e a divulgação do tema escolhido, “A história do Algarve e a primeira globalização”, avançando também com propostas concretas de áreas e temas que ainda carecem de investigação, e que deveriam ser desenvolvidos futuramente.

A concluir o workshop, Maria Augusta Lima Cruz, da CHAM-NOVA & ICS/UMinho, fez um balanço de todas as intervenções, no qual não só sistematizou as áreas de investigação que têm merecido mais desenvolvimento, mas também traçou as mais importante lacunas que importará colmatar em investigações futuras.

Para o professor Rui Manuel Loureiro “O workshop permitiu fazer um primeiro balanço crítico do «estado da questão», no que toca às investigações sobre a história do Algarve e as suas conexões com o período da primeira globalização (basicamente, séculos XV e XVI)”. Neste primeiro encontro de trabalho “Várias intervenções destacaram o exemplo e o modelo de Joaquim Romero Magalhães, o grande investigador da história do Algarve na primeira modernidade. Simultaneamente, procurou-se traçar um conjunto de linhas de rumo para o futuro desenvolvimento da investigação histórica e para a sua aplicação a actividades de divulgação” refere o organizador. Rui Manuel Loureiro frisou, também, que “a investigação histórica só ganha valor e significado quando é objecto de divulgação”.

De entre as linhas de rumo que deverão ser exploradas no futuro, o professor do ISMAT destaca o “desenvolvimento da rede de investigadores que ficou esboçada neste primeiro workshop, o investimento na publicação de fontes documentais e narrativas, a realização de encontros regulares de investigação, e a publicação / divulgação regular de trabalhos de investigação de natureza académica (dissertações e teses) que têm sido desenvolvidos em anos mais recentes”.

Nuno Vila-Santa, do CIUHCT, da Universidade Nova de Lisboa, um dos historiadores presentes refere que «O Workshop O Algarve e a Primeira Globalização foi uma iniciativa importante e bem-sucedida. Ao congregar assumidos especialistas em história do Algarve com as perspectivas de não especialistas, foi possível gerar um debate relevante sobre rumos e novos temas a abordar. É, por isso, uma experiência a repetir para ser possível alinhavar novos trabalhos em espírito de equipa e perspectiva multidisciplinar, os quais surgem com mais facilidade fruto da troca de ideias entre investigadores.».

Sobre este workshop e a sua temática, o historiador algarvio Fernando Pessanha, disse “que se torna imperativo e estrategicamente pertinente o desenvolvimento de estudos relativos à relação do Algarve com o universo da Expansão e dos Descobrimentos, já que foram estes os grandes responsáveis pelo desenvolvimento demográfico, económico e urbanístico a que a região algarvia assistiu nos séculos XV e XVI. De facto, a retoma de projectos de investigação sobre o Algarve e os Descobrimentos serve não apenas a construção do conhecimento científico sobre o papel da região durante a primeira globalização, como também os interesses estratégicos subordinados ao desenvolvimento de estratégias que fomentem o turismo cultural, nomeadamente, no que se refere a temas pouco explorados  da nossa historiografia, como o corso e a pirataria, os combates navais, a defesa da costa ou o papel dos judeus, mouriscos e elches nos Algarves de Aquém e de Além-mar.”

O projecto Magallanes_ICC – Centro de Empreendimento de Indústrias Culturais e Criativas é  co-financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional FEDER através do Programa Interreg V- A Espanha-Portugal (POCTEP) 2014-2020.

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