Dia Mundial das Redes Sociais: devemos comemorar?

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A vida virtual faz parte do nosso quotidiano. Através das redes partilhamos toda a nossa vida tanto pessoal como profissional.

Pontos positivos? Apenas num pensamento positivo, mas logo vêm os contras. O P.PhD em neurociência, mestre em psicololgia e biólogo Prof. Dr. Fabiano de Abreu Agrela discorre sobre o assunto e analisa a situação atual.

“As redes sociais aproximaram pessoas… virtualmente. Em nosso código genético há a necessidade de interação física, principalmente devido ao organismo sofrer maior impacto emocional quando a interação é real pela ‘consciência das probabilidades’ nas nuances da própria proteção pessoal.”, Refere.

As nossas relações pessoais também sofreram alterações com este novo tipo de interação. Mas o cientista questiona até que ponto a facilidade é sinônimo de felicidade.

“Facilidade em firmar relacionamentos? Sim, está mais fácil, em contrapartida o que é fácil não gera esforço, logo, a conquista não libera neurotransmissores, mensageiros químicos que regulam as emoções, na mesma intensidade. Também à consciência do facilitismo faz com que não tenha esforço para manter o relacionamento já que um outro pode vir na mesma facilidade.”, Analisa.

O mundo virtual tem que ser gerido de forma correta senão corremos o risco de dispersar e não ser objetivos. A facilidade incorre em ambas as direções, fugir da linha também se torna extremamente fácil.

“Mas não propagamos mais fácil nossos trabalhos? Sim, em compensação aumentou a quantidade de pessoas que perdem tempo nas redes tentando alavancar o negócio ao invés de usar os meios ideais que antecipam a propaganda. Aumentou o número de empreendedores individuais sem sucesso financeiro. Assim como a credibilidade já que muito o que se propaga não é real.”, Diz Abreu.

Outro cuidado a ter prende-se com o saber distinguir a qualidade e veracidade da informação fornecida.

Como alerta Fabiano,”Há mais informações agora. Sim, mas nunca se teve tantas informações falsas. Pessoas se tornaram falsos jornalistas sem faculdades ou registro de competência. A desinformação e falta de conhecimento como consequência da dificuldade no foco atencional por excesso de informações, está moldando o cérebro e diminuindo a inteligência.”

O neurocientista também vem alertando para outros problemas que estão a surgir em grande força e para o qual as redes sociais contribuem grandemente: o narcisismo patológico, aumento de transtornos e diminuição da inteligência acentua-se como consequência do vício em redes sociais e necessidade de recompensa e conquistas fáceis através das redes sociais.

“Não sou contra as redes e sim ao exagero. Assim como acredito que deveriam ter leis e regras já que não deixa de ser uma sociedade como a real, só que virtual. A liberdade em excesso e a falta de controle gera consequências negativas, principalmente quando há ações precursionadas por pessoas com distúrbios mentais, não generalizando, claro, mas uma pessoa, com um distúrbio pode ter mais disposição e tomada de decisão que 100 pessoas para propagar muita coisa na rede.”, Concluí.

MF