Solta-Mente | Os Impertinentes – Edição Mundial

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No outro dia o noticiário poderia ter sido um documentário intitulado “Os Impertinentes – Edição Mundial”, porque o era. Uma espécie de top 10 da insanidade das lideranças que, como que privadas do mui necessário soninho de beleza, desatam a implicar com os restantes. Não sei se temos barco para tanto abanão.

Guerra, disputas comerciais, pressões, poder eterno, “a minha ogiva é maior que a tua”, e “ele não era suposto ter aquele brinquedo, quanto mais vendê-lo ao outro menino” e “não vou perder, e se disserem que perdi, é batota”, “não fui eu, foi ele” e “quem se meter comigo vai ver”.

Quando acabou o top 10, estava seriamente cansada, encarando o meu direito e dever de estar informada como quem enfrenta uma maratona sentada no próprio sofá. Mas, para meu despeito, após o desfile de “Os Impertinentes – Edição Mundial”, começaram os analistas de tudo e mais alguma coisa: geopolítica, geodesia, relações internacionais, generais, políticos e economistas, todos vestidos de pessimismo epidémico, sem máscara.

E eu, que sempre gostei de História, arrepio-me com estas coisas. Parece que estou a ouvir os antecedentes da Primeira Guerra Mundial, mas com o argumento adaptado ao nosso milénio. À sopa das más notícias junta-se o coro português de: “vamos viver pior, a inflação, as taxas de juro, os empréstimos, as famílias” e o regresso do jargão económico sobre mercados, taxas e as tristes misérias que já digerimos noutros natais. Declarei distensão cerebral às nove da noite e fui-me deitar, cansada do futuro. Porque, às vezes, muitas vezes, o futuro já nos pesa.

Selma Nunes

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