Novo Conceito de Gastronomia | Repensar Vertente Legal e Educacional

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Nova-Gastronomia

A segunda edição do Congresso Europeu de Cultura Gastronómica, um espaço de reflexão sobre o presente e o futuro do setor, realizou-se em Oeiras no dia 25 de novembro, no TagusPark, um evento promovido pela Comunidade Europeia da Nova Gastronomia (ECNG) e pela Câmara Municipal de Oeiras que contou com um painel de oradores nacionais e internacionais que debateram e refletiram sobre vários temas da atualidade relacionados com a nova gastronomia. As apresentações do Congresso, com temas que importam à população em geral, como pais, filhos, educadores, professores, entre outros, estarão disponíveis online, brevemente, no site da ECNG.

As conclusões do congresso coincidem com as premissas do Manifesto Ibero-Americano da Nova Gastronomia do Século XXI, apresentado há algumas semanas na sede da Secretaria-Geral Ibero-Americana, e assinado pelas 15 Academias Nacionais que fazem parte da Academia Ibero-Americana de Gastronomia.

Várias são as diretrizes que se destacaram nesta segunda edição do evento, entre elas, a gastronomia do século XXI não pode limitar-se ao prazer, mas deve considerar quatro áreas fundamentais: saúde, solidariedade, sustentabilidade e satisfaçãoa gastronomia engloba todos os elos da cadeia alimentar: produção agroalimentar, indústria transformadora, distribuição e comércio, hotelaria e restauração e consumo domésticoa Nova Gastronomia deve apoiar a conservação, defesa e promoção do património gastronómico de cada país e região e, ao mesmo tempo, promover a criatividade na cozinha, a “cozinha da liberdade”, cozinha de autora gastronomia é um setor chave para promover um turismo de qualidadecomo consequência desta mudança radical no conceito de gastronomia, é necessário um novo quadro legal e educacional.

“As conclusões do Congresso Europeu de Cultura Gastronómica permitem destacar que a Ibero-América e a Europa concordam no conceito do que é e deve ser cada vez mais a Nova Gastronomia do século XXI”, refere Rafael Ansón, sócio fundador da Comunidade Europeia da Nova Gastronomia (ECNG).

A iniciativa pautou-se por mesas redondas e apresentações sobre diversos temas atuais relacionados à Nova Gastronomia.

José Bento dos Santos, presidente da Academia Portuguesa de Gastronomia, falou sobre a educação do paladar. Arantxa de Miguel Uriarte, docente da Licenciatura em Gastronomia da Universidade Francisco de Vitória, abordou a necessidade de um código de ética para os profissionais da gastronomia e, Miguel Poiares Maduro, apresentou a criação do Observatório Europeu da Gastronomia. Por sua vez, Carlos Fontão de Carvalho, sócio fundador da Comunidade Europeia da Nova Gastronomia falou sobre o direito à alimentação.

O evento contou, ainda, com quatro mesas redondas sobre ‘Gastronomia Saudável’, moderada por Paulo Amado; ‘Gastronomia Solidária’, por Margo Gabriel; ‘Gastronomia Sustentável’, com moderação de Maciej Dobrzyniecki (e com a participação, entre outros, de Alfonso Marín, Secretário-Geral da Academia Ibero-Americana de Gastronomia); e ‘Gastronomia Satisfatória’, moderada por Rafael Ansón (entre os participantes, José Manuel Ávila, diretor geral da Fundação Espanhola de Nutrição). A Academia Sueca de Gastronomia também teve uma participação especial, com a intervenção do seu presidente, Per-Olof Berg, que apresentou o projeto “Estocolmo, Capital Europeia da Nova Gastronomia 2023”.

A ECNG está profundamente ligada à Academia Internacional de Gastronomia. “Além das academias nacionais dos países europeus que queiram aderir, pretende-se que a Comunidade Europeia da Nova Gastronomia integre, à medida que se for consolidando, reconhecidas personalidades do mundo da gastronomia de todos os países da União Europeia, nas mais diversas vertentes, desde social, profissional, cultura gastronómica, educação, saúde, nutrição, gourmets, artistas, médicos, advogados, economistas, cozinheiros, produtores de vinho, agricultores, jornalistas, investigadores, entre outros”, afirma Carlos Fontão de Carvalho, sócio fundador da Comunidade Europeia da Nova Gastronomia. “Pretende-se, também, a colaboração de universidades, academias e associações nacionais e regionais, bem como de empresas líderes a nível europeu.”, acrescenta.

De entre vários intervenientes, o evento contou com a presença dos dois co-presidentes da ECNG, Maciej Dobrzyniecki, Polónia, Rafael Ansón, Espanha, e com a participação de Francisco Rocha Gonçalves, vice-presidente da Câmara Municipal de Oeiras e de alguns chefes, profissionais e especialistas internacionais em diferentes áreas da gastronomia. A organização do Congresso esteve a cargo de Carlos Fontão de Carvalho, diretor-geral da ECNG e diretor da Academia Portuguesa de Gastronomia e de Paulo Amado.

A Comunidade Europeia da Nova Gastronomia tem como objetivos claros, a defesa e promoção dos valores culturais da Gastronomia no contexto do século XXI nos países europeus, englobando as suas vertentes histórica, cultural, científica e nutricional, bem como a promoção da saúde e a sua influência nas relações familiares e sociais, no bem-estar social e na educação do gosto.

Em conclusão:

  • A gastronomia do século XXI deve considerar quatro áreas fundamentais: saúde, solidariedade, sustentabilidade e satisfação
  • Todos os elos da cadeia alimentar devem ser englobados na gastronomia como produção agroalimentar, indústria transformadora, distribuição e comércio, hotelaria e restauração e consumo doméstico
  • A Nova Gastronomia deve apoiar a conservação, defesa e promoção do património gastronómico de cada país e região
  • A gastronomia é um setor chave para promover um turismo de qualidade
  • É necessário um novo quadro legal e educacional para o novo conceito de gastronomia

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