Solta-Mente | Um Ano Novo, Um velho Mundo

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Estreámos um ano há quinze dias. Na vida real, isso de trocar de ano não é bem uma estreia, pois arrastam-se os desatinos e vivências anteriores, ano após ano. Ao peito, às costas e na nossa maneira de ver as outras pessoas. Faz-se uma fortaleza pensante, toda artilhada, inafundável… como o “Titanic”, ou assim queremos acreditar, também como o “Titanic”.

Depois da clausura e do choque das guerras e tudo o que estas trazem é necessário balançar essas contas com humanidade para que não nos percamos dentro dos nossos próprios artifícios e fortalezas. Há que não ter medo de ser pessoa humana. Nunca foi tão crucial sê-lo. Mais do que um même, ou uma piada, ou simplesmente, parecer. Ser.

Até num muro anónimo e velho exposto à intempérie pode existir arte. Até os erros têm dentro deles a tentativa. E nem a arte, nem os muros, nem os erros têm de ser intransponíveis. Toda a gente erra. Toda a gente tem dias menos bons. Toda a gente é gente, antes de qualquer julgamento. Vamos viver tempos difíceis. Há pessoas em situações muito difíceis. Sejamos, no mínimo, gentis como gostaríamos que fossem connosco. O resto é arte ou rachadura (depende do ponto de vista e do nosso rendilhado pessoal). E assim, a meu ver, já é um bom começo de ano, ou de viagem, ou pelo menos… tenta-se.

Selma Nunes

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