Gama Rama – Faro | Exposição “Construções na Areia” de Cruzes + Vargas

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A Exposição de Cruzes + Vargas “Construções na Areia”, inaugura dia 27 de Janeiro, na Galeria Gama Rama em Faro, estará patente até 25 de Março.

“Construções na Areia” é desde logo um título autoexplicativo, pois literalmente a trilogia textura/material/estrutura é muito forte. São utilizados materiais de construção, nomeadamente, estruturas de madeira, gessos, cimentos, vernizes, tintas areadas e tintas de parede. É muito valorizada, e colocada em prática, a liberdade criativa, simples e despreocupada, sendo mesmo estrutural essa atitude infantil e naturalmente expressiva de quem constrói na areia enquanto criança. Existem suportes de memória e fatores profissionais, também eles fundamentais para a concretização e evolução do trabalho desta dupla de artistas, nomeadamente Vargas ser arquiteto no Kuwait, onde absorve a cultura e as cores, e Cruzes ter um background em pintura, mas também em design de comunicação e tecnologia. Ambos têm profundos laços de memória com a cultura algarvia e, embora de forma muitas vezes “invisível”, são utilizados elementos estruturantes, que advêm do Sul, da sua arquitetura, do seu calor e, inevitavelmente, da herança árabe.

Antes de qualquer interpretação, no trabalho de Cruzes + Vargas sente-se primeiro a intuição, o jogo da imaginação e o prazer da experimentação, a energia criadora que nasce do diálogo, da polifonia e do caminho que fazem entre as ideias.

Sobre CRUZES + VARGAS

O trabalho de Ricardo Cruzes retrata e ilustra diálogos, tensos, apaixonados, irônicos, muitas vezes autobiográficos. Estados de alma que vêm ao mundo pela conversa entre o artista e o seu trabalho, onde se discutem razões instituídas, teorias sociais, questões existenciais e missões diversas. Paisagens e personagens que se equilibram na linha que separa o abstrato do figurativo, movimentam-se e transformam-se de peça para peça, de narrativa em narrativa, são perguntas e respostas, mensagens internas que se concretizam em peças acabadas e começadas em continuidade. Diálogos onde as duas partes se assumem pelo contraste da abordagem formal, pelo ser racional, empreendedor e crítico, em contraponto com o ser primitivo, expressivo e infantil. Numa atitude de observação e questionamento constante o artista recusa criar de uma forma única, ou utilizar um só meio, preocupando-se mais em resolver, sem concluir objetivamente, a cada momento, as discussões existenciais que promove consigo próprio, escavando experimentalmente, com ferramentas diversas, os capítulos de um infinito romance.

Entre a beleza fascinante da natureza e a catástrofe total encontramos o Cruzes.

Intensificação da atividade artística desde 2008 com demonstrações públicas a partir de 2009. Artista residente do LAC – Laboratório de Atividades Criativas, em Lagos, onde desenvolve desde Abril de 2021 a atividade de artista plástico a tempo inteiro, é coautor do projeto Cruzes + Vargas = 3 (Portugal <> Kuwait), com Rui Vargas e do projeto Hyperactive Memory Ruins (Portugal <> Noruega), com Joel Arantes.

Será Rui Vargas um arquiteto artista, ou um artista arquiteto? A questão impõe-se, pois é complexo, senão tarefa impossível, identificar na sua obra, artística e arquitetónica, uma linha barreira entre as duas atividades e será neste aspecto que reside a engrenagem criativa que o faz produzir arte e arquitetura de forma tão desprendida, procurando inspirações díspares, desde memórias arquitetônicas da sua infância, passando pela apropriação racional e interpretada dos mestres que admira, aconchegando-se finalmente na simplicidade expressiva, rápida e direta, que existe nas crianças e em adultos como o próprio Rui.

Ao fazer arte usa o projeto e o planeamento, convenientes aos processos da arquitetura, mas como na sua forma de projetar e planear a “pintura” é intrínseca, os seus processos artísticos são em si arte, gerando invariavelmente desenhos pintados de riqueza formal surpreendente, de frontalidade gráfica inequívoca e, por isto, esteticamente irrepreensíveis.

Rui Vargas para e pensa com o projeto, mas é com a arte que respira.

Gama Rama

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