“Rede 8 de Março” V Greve Feminista Internacional e Marcha do Dia Internacional das Mulheres

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Mulheres-União-8Março

Dia 8 de Março em Aveiro, Barcelos, Braga, Bragança, Coimbra, Faro, Guimarães, Leiria, Lisboa, Porto e Vila Real, e, dia 11 de Março, em Chaves
• A marcha realiza-se em Portugal desde 2019 e reuniu, no ano passado, mais de 13 mil pessoas.
• Rede 8 de Março reúne Colectivos, Sindicatos e pessoas singulares que unem vozes em nome de todas as mulheres e se mobilizam pela
construção de uma sociedade assente na justiça, na igualdade, na dignidade e na liberdade.

A Rede 8 de Março volta a convocar a Greve Feminista Internacional, em Portugal, no Dia Internacional da Mulher, 8 de Março, com marchas em 12 cidades.

Sob o mote “Mulheres em União fazem a Revolução”, a V Greve Feminista Internacional de 2023 está marcada para Aveiro, Barcelos, Braga, Bragança, Chaves, Coimbra, Faro, Guimarães, Leiria, Lisboa, Porto e Vila Real.

No Manifesto 8M 2023 são referidos o protesto contra a violência doméstica, a violência sexual, a violência obstétrica, o assédio nos espaços
público e privado e em contexto laboral, o sistema de justiça machista, a transfobia, o tráfico de meninas e mulheres, a negação dos direitos sexuais e reprodutivos, o racismo e a xenofobia, entre muitas outras formas de violência de género.

Num contexto nacional e internacional de inflação e escalada de violências contra as mulheres, a Rede 8 de Março sai assim à rua para exigir:

• o alargamento da rede de casas de abrigo, o investimento na habitação social, bem como mais apoios – laborais, de saúde, económicos e sociais – para as mulheres e crianças vítimas de violência doméstica.
• o fim das penas suspensas e da impunidade dos agressores e o uso mais frequente de medidas que imponham o seu afastamento e detenção.
• penas efetivas para os agressores de qualquer tipo de violência, deixando de haver atenuantes desadequadas.
• a existência de gabinetes de apoio à denúncia do assédio nas universidades e locais de trabalho e sanções para as empresas que permitam o assédio moral e sexual.
• uma política de consciencialização pública para o assédio, que torne socialmente claro que este coloca as meninas e mulheres em perigo,
mesmo quando se tratam de micro-agressões aparentemente inofensivas e normalizadas, como o assobio ou o comentário sobre o corpo, para que todas as pessoas se tornem vigilantes e ativas na sua prevenção e censura social.
• o fim do trabalho precário e salários iguais para trabalhos iguais.
• o fim dos ataques aos direitos de parentalidade e o reforço dos apoios sociais a famílias monoparentais e a mães desempregadas.
• o reconhecimento do valor social doméstico e dos cuidados, a partilha de responsabilidade na sua prestação e mais respostas públicas de socialização do trabalho doméstico para que homens e mulheres beneficiem igualmente dos tempos de lazer e descanso.
• uma abordagem cuidada de género nas respostas sociais para as pessoas em situação de sem-abrigo e/ou pessoas utilizadoras de
substâncias ilícitas, considerando as necessidades e vulnerabilidades particulares das mulheres nessas situações.
• mais formação sobre inclusão de pessoas LGBTQIAP+ para profissionais de saúde que permitam também um acesso livre e efetivo, com estratégias de saúde específicas, aos cuidados no Serviço Nacional de Saúde para as pessoas trans e não-binárias.
• o acesso facilitado a consultas de saúde sexual e reprodutiva.
• o acesso universal e efetivo à interrupção voluntária da gravidez segura.
• o parto humanizado e o fim de todas as violências obstétricas, a reabertura e reforço das maternidades, das urgências e dos serviços
de ginecologia/obstetrícia em todo o território nacional, particularmente no Interior e noutras zonas de baixa densidade populacional.
• que seja ouvida a voz destas mulheres sem julgamentos de natureza moral e/ou preconceituosa.
• que tenham acesso a apoios sociais e retaguarda financeira e de saúde.
• uma educação pública e gratuita, comprometida com as agendas políticas da igualdade, da sustentabilidade e dos direitos humanos.
• que a escola garanta a diversidade curricular, promovendo espaços seguros e livres de agressões.
• a correção dos currículos preconceituosos, particularmente dos vieses colonialistas.
• a democratização e livre acesso ao conhecimento científico.
• o direito à autodeterminação dos corpos para todas as pessoas.
• educação sexual inclusiva nas escolas, em que sejam abordados temas como a identidade de género e a orientação sexual.
• mais representatividade da diversidade sexual e de género nos media e nos diversos setores laborais.
• o fim das políticas racistas e colonizantes.
• o fim das discriminações que aumentam a desigualdade, aplicando sanções para as empresas que permitem o assédio ou a discriminação
baseada na identidade étnico-racial.
• o levantamento dos dados étnico-raciais da população, de acordo com o apelo continuado das comunidades imigrantes e racializadas.
• o fim do capacitismo socialmente enraizado, presente na exclusão social de pessoas com diversidade funcional e/ou neurodivergência
em todos os contextos sociais.
• a autodeterminação dos corpos com diversidade funcional, começando a olhar-se para estes na perspetiva do Modelo Biopsicossocial.
• garantias de mais acessibilidade, tanto atitudinal, como física, metodológica, instrumental, comunicacional, etc. para estas pessoas.
• que as mulheres que lideram a luta contra as alterações climáticas, em particular as mulheres indígenas, as companheiras zapatistas do
México e as mulheres curdas de países do Médio Oriente sejam ouvidas na construção de uma solução política internacional para este problema.
• que as pessoas refugiadas e deslocadas climáticas tenham um estatuto internacional particular, como as que foram obrigadas a sair
dos seus países em consequência das cheias no Paquistão e da submersão de áreas importantes de países como o Tuvalu e o Kiribati.
• a promoção de um planeamento urbano de distâncias curtas, com o desenvolvimento massivo de transportes públicos gratuitos.
• o desinvestimento na indústria bélica, usada para subjugar e impor formas de opressão e exploração colonialistas, investindo, em vez
disso, numa transição justa nas energias e no mercado de trabalho.
• o fim do Plano de Fomento Mineiro e a interrupção imediata de toda a mineração em curso e projectada, na terra e no mar, bem como
acção clara e efectiva contra a mineração em mar profundo.

Mais de 100 associações, coletivos, sindicatos e pessoas singulares já subscreveram o seu apoio à V Marcha da Greve Internacional da Mulher, entre eles, Ação Revolucionária Estudantil, Alternativa Socialista Internacional, APDES – Agência Piaget para o Desenvolvimento, As
Insurgentes – Intendente Insurgente, Associação Plano I, CIVITAS Braga, Comissão Organizadora da Marcha LGBTQIAP+ de Famalicão, Comissão Organizadora da Marcha LGBTQIAP+ de Guimarães, Comissão Organizadora da Marcha LGBTQIAP+ de Santo Tirso, Comissão Organizadora da Marcha LGBTQIAP+ de Vizela, Greve Climática Estudantil, Greve Climática Estudantil de Guimarães, Guimarães LGBTQIA+, Headbangers Antifascistas, HeForShe UMinho, Humanamente – Movimento Pela Defesa dos Direitos Humanos, Insubmissas (Comissão de Mulheres do MAS), LGBTQI Esposende, Movimento Ação Revolucionária, Movimento Alternativa Socialista (MAS), Movimento Virgínia Moura, Núcleo Antifascista de Barcelos, Núcleo Antifascista de Braga, Núcleo Antifascista de Bragança, Núcleo Antifascista de Guimarães, Núcleo Antifascista do Porto, OVO PT | Observatório de Violência Obstétrica, Plataforma Antifascista de Lisboa e Vale do Tejo – PALVT, Queer Tropical, UAP – União Antifascista Portuguesa, União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) e UMAR de Braga.

Este é o quinto ano consecutivo em que a Greve Internacional é convocada em Portugal tendo, em 2022, reunido mais de 13 mil pessoas.

Greve Feminista Internacional

A Greve Feminista Internacional, organizada em Portugal pela Rede 8M, pretende tornar o Dia Internacional da Mulher num dia de luta política, focada nas reivindicações mais importantes das mulheres e na sua plena emancipação.

Com quatro eixos – consumo, trabalho, cuidados e estudantil –, nos quais se enquadram bandeiras como a reivindicação de igualdade salarial e o combate à mercantilização e objectificação do corpo feminino, a Greve Feminista Internacional surge do processo de articulação com outros movimentos feministas em países como Espanha, Itália e Alemanha.

A Rede 8M – Greve Feminista Internacional pretende ainda unir as mulheres de todas as partes do mundo, construindo redes de solidariedade, de apoio e de aprendizagem transnacionais.

V GREVE FEMINISTA INTERNACIONAL – 8 DE MARÇO 2023
Aveiro: Praça Dr. Joaquim de Melo Freitas, 18h00
Barcelos: Porta Nova, 18h30
Braga: Praça da República, 18h00
Bragança: Cantina do IPB, 18h00
Chaves: (11 de março) Largo das Freiras, 15h00
Coimbra: Praça 8 de Maio, 18h00
Faro: Jardim Manuel Bívar, 18h00
Guimarães: Plataforma das Artes, 18h00
Leiria: Largo 5 de Outubro, 18h00
Lisboa: Alameda D. Afonso Henriques, 18h30
Porto: Praça dos Poveiros, 18h30
Vila Real: Praça Luís de Camões, 18h00

Rede 8 Março

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