APEOralidade leva “Nossa Terra Nosso Povo” ao Museu Municipal de Arqueologia de Loulé

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A Associação de Pesquisa e Estudo da Oralidade (APEOralidade) vai trazer ao Pátio do Museu Municipal de Arqueologia de Loulé, a 14 de setembro próximo, pelas 18h00, a obra Nossa terra nosso povo – A voz da comunidade na expressão poética de inspiração tradicional, do poeta Joaquim Miquelino Gomes. A apresentação estará a cargo da Doutora Ana Isabel Soares, investigadora e docente na Universidade do Algarve (UAlg) e especialista nas áreas da literatura portuguesa e do cinema.

A obra surge da investigação do professor José Ruivinho Brazão com o objetivo de divulgar, promover e reconhecer os poetas populares, bem como preservar a identidade histórico-cultural e estético-linguística de um povo. Miquelino é o exemplo mais recente de entre os vários poetas do povo a quem o investigador encontrou e reconheceu como dignos representantes da poesia popular de autor de inspiração tradicional, promovendo-os até à edição.

J. Miquelino Gomes (1888-1983) nasceu em Santa Margarida do Sado (Setúbal) e encontrou o Sul de Portugal por via do matrimónio. Em 1922 emigra para França, onde permanece até 1938. É na ‘cidade das luzes’ que priva e se debate com o seu congénere, António Aleixo. “Possuidor de uma memória e de um imaginário excecionais”, nas palavras de José Ruivinho Brazão, “o seu talento brilha nos trocadilhos do despique e na poesia de pura gratuidade e prazer poético”. Para além da visão crítica do mundo, no poeta realçam-se“o canto da mulher e do amor, os textos de ficção, a poesia do mundo ao contrário”, sempre expressosem décimas presas ao mote, característica da poesia popular do Baixo Alentejo.

A obra que ora vai a apresentar nasce de um encontro entre o investigador e o poeta, já na reta final da vida deste, em Boliqueime (1979). A obra desenvolve-se ao longo de seis capítulos, expressivos da riqueza e diversidade temática e estética da poesia de Miquelino. O capítulo 6 pauta-se pela poesia do puro imaginário e pelos jogos de trocadilhos; o 5 aborda o amor e a beleza da mulher; o 4 documenta o encontro com o poeta António Aleixo, em Paris; o 3 desenha a realidade de Portugal e da Europa; o 2 centra-se no seu Portugal e releva as condições de pobreza e desigualdade; o 1 exalta o Parragil (Loulé), terra natal da esposa do poeta, “com poemas que tocam a chegada da luz e a abertura de vias de comunicação”.

Aurélia Fernandes, Presidente da Sociedade Parragilense, realça no poeta, que veio a falecer em 1983, em Salir, com 95 anos, “o juízo analítico e crítico”, bem como “o bom humor deste jornalista do seu tempo que, com os olhos de emigrante cheios da cultura parisiense, se choca com a lentidão do Monte Seco (sítio onde habita), por oposição ao Parragil”.

A obra mereceu o apoio da Câmara Municipal Loulé, da Junta de Freguesia de Boliqueime e da Câmara Municipal de Albufeira.

DA