Escola de Ciclismo da Sociedade Recreativa Almancilense

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Almancil é uma terra próspera onde os sonhos e as utopias podem tornarse realidade, desde que se acredite que o mundo pode ser diferente.

Economicamente, Almancil destaca-se como uma das freguesias mais desenvolvidas do concelho de Loulé.
No entanto, é também um local onde as pessoas ainda mantêm a convicção de que podem fazer a diferença, unindo-se para alcançar um propósito comum, transcendendo as diferenças de género, idade e nacionalidade.

Foi assim que, no início de 2023, nasceu a Escola de Ciclismo da Sociedade Recreativa Almancilense.

A iniciativa teve origem na mente do seu mentor, Nelson Ramos, advogado e ciclista amador, contando desde o início com a colaboração de voluntários e entidades públicas e privadas, incluindo a Junta de Freguesia de Almancil e a Câmara Municipal de Loulé.

O diferencial do Almancilense reside na atmosfera serena durante as práticas desportivas, onde não há pressões por resultados, mas sim um estímulo para aproveitar cada pedalada. Cada momento é um convívio, uma camaradagem que alimenta a alma não só o físico.

Em menos de um ano o Almancilense evoluiu para conseguir alcançar vários dos seus objetivos entre os quais se destaca a criação de ambiente inclusivo e diversificado.

A linguagem utilizada é única, uma linguagem dos “ciclistas”, muitas vezes mais gestual do que verbal, devido à diversidade de nacionalidades, mas o sorriso nos lábios é comum a todos. Desta forma a diversidade cultural enriquece a experiência para todos os membros.

Atualmente, o Almancilense conta com cerca de 24 ciclistas, na sua maioria crianças do sexo feminino, provenientes de diversas comunidades. No grupo de aproximadamente trinta pessoas, entre crianças, jovens e voluntários envolvidos no projeto, identificam-se pelo menos doze origens distintas, de vários países.

A participação feminina no clube é notável, tanto entre atletas como na posição de dirigente, promovendo a igualdade de gênero. O Almancilense se destaca como um projeto de ciclismo que valoriza a diversidade, apresentando uma proporção significativa de ciclistas do sexo feminino.

Dentro da política de integração do projeto, encontram-se atletas do ciclismo adaptado e para-ciclismo, como o campeão Mark Rohan, duplamente medalhado de ouro nos Jogos Paralímpicos de Londres.

Além de ciclista, Mark exerce funções voluntárias como treinador.

Destaca-se também a jovem de catorze anos, Temperance Reid, que, apesar do seu transplante de coração, competiu em 2023 nos Jogos Mundiais de Transplantados em Perth, na Austrália, conquistando quatro medalhas, incluindo duas de ouro.

É relevante notar que, embora o projeto tenha, numa primeira fase, uma vertente social e recreativa, o seu objetivo a médio prazo é criar uma estrutura para os jovens atletas, permitindo que, ao atingirem os escalões seniores, possam continuar a competir ao mais alto nível dentro do clube.

Assim, pretende-se criar condições no Algarve para que ciclistas com ambição e talento possam competir na alta competição sem terem que abandonar a região, contando com nacionais e estrangeiros residentes que, em seus currículos profissionais, atuaram ao mais alto nível de direção de equipas de nível mundial, já vencedoras de Voltas à França.

Os impactos positivos na comunidade local são notáveis, destacando-se a promoção da saúde, conscientização ambiental, integração social, educação sobre segurança no trânsito, inclusão de ciclistas de diferentes idades e origens, apoio ao comércio local e o desenvolvimento de rotas de ciclismo que destacam a cultura local e atrativos turísticos.

Num esforço conjunto, o Almancilense contribui para a construção de um futuro melhor, fortalecendo a comunidade e defendendo questões ambientais e sociais.

APEEAVA