OPP | Alterações Climáticas têm impacto na Saúde Psicológica – Contributo Cientifico

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  • Ansiedade, depressão, perturbação de stresse pós-traumático ou apatia, culpa, incerteza e desespero são alguns dos problemas que podem surgir

A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) alerta para os impactos que as alterações climáticas podem ter na saúde psicológica, recordando que Portugal se encontra entre os países europeus com maior vulnerabilidade aos impactos das alterações climáticas. O território português, onde cerca de 60-70% da população vive no litoral, é o quarto no New Climate Economics Index, à frente de países como o Canadá e Noruega, a apresentar riscos mais elevados de sofrer impactos económicos devido às alterações climáticas.

A nível europeu, Portugal também é um dos países mais vulneráveis à subida do nível das águas do mar. A crise climática é vista pelos olhos dos portugueses como um problema muito sério (9 em cada 10) para o mundo (Comissão Europeia, 2021). Mais de um em cada cinco portugueses consideram que as alterações climáticas constituem o problema social mais grave que enfrentamos atualmente.

Neste sentido, a OPP preparou um contributo para a reflexão sobre as questões relativas às alterações climáticas, onde são analisados os impactos na saúde psicológica e elaboradas estratégias de atuação, baseadas em evidências científicas, através das quais os psicólogos podem contribuir para a solução deste desafio social.

Prevê-se que a saúde psicológica seja uma das dimensões da saúde a ser mais afetada pela crise climática e as evidências científicas mostram que esta assume impactos psicológicos diretos como a ansiedade, depressão ou perturbação de stresse pós-traumático e impactos psicológicos indiretos como a apatia, culpa, incerteza ou desespero. O documento revela como é que as perceções, atitudes e comportamentos humanos desempenham um papel vital na forma como enfrentamos e respondemos às alterações climáticas e a catástrofes naturais.

Ao enfrentar a crise climática, é fundamental integrar os conhecimentos da ciência psicológica nas estratégias, ações e políticas globais. Os psicólogos, em conjunto com outros grupos profissionais, decisores políticos e sociedade civil, têm o poder de influenciar positivamente a trajetória das mudanças climáticas. A sinergia entre estes múltiplos agentes é a chave para desenvolver estratégias abrangentes que procurem resolver não só os desafios imediatos, mas que comecem a construir o caminho para um futuro mais resiliente e justo para todos.

Este contributo aborda também a crescente prevalência da eco-ansiedade, revelando a necessidade de intervenções psicológicas que ajudem a lidar com fatores como o stresse e o medo relacionados com as alterações climáticas e as suas consequências. O documento explica o papel que os psicólogos podem ter no combate às alterações climáticas em vários contextos:

  • advocacia e activismo climático baseado em evidências
  • sensibilização e promoção da literacia
  • avaliação de risco
  • gestão da comunicação sobre as alterações climáticas
  • desenvolvimento de acções de formação
  • intervenção psicológica nos sistemas de saúde
  • coordenação de respostas integradas
  • desenho de políticas públicas
  • reabilitação urbana
  • cidadania activa
  • acolhimento e integração de populações deslocadas por motivos climáticos
  • redução do consumo energético e outras intervenções comportamentais 

Ao abordarmos os fatores psicológicos envolvidos nos impactos climáticos podemos contribuir para uma mudança sustentável, global e mais eficaz.

Pode aceder ao documento completo AQUI

ADBDC

Ordem-Psicologos