“O valor do Brincar nos dias de hoje”

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Artigo assinado por Diana Barroso, Terapeuta Ocupacional e Ricardina Correia, Psicóloga CNS – Campus Neurológico Torres Vedras

No Dia da Criança, reconhecemos não só a singularidade de cada criança, mas também, a importância de lhes proporcionar um ambiente favorável ao seu desenvolvimento integral. Nesta era digital, onde os ecrãs exercem forte atratividade desde cedo, é essencial reafirmar o valor do brincar como uma atividade essencial para o crescimento saudável das crianças.

O brincar é a principal ocupação de uma criança e uma ferramenta vital para o seu neurodesenvolvimento. É a brincar que a criança vivência uma séria de experiências sensoriomotoras, relacionando-se com o mundo que a rodeia. Brincar é uma forma primordial de comunicação, expressão, socialização e aprendizagem. Estudos científicos têm demonstrado que o brincar ativo, livre e criativo envolve todo o cérebro e estimula o desenvolvimento de conexões neurais essenciais ao desenvolvimento motor, social, emocional, comportamental e até cognitivo.  Embora os brinquedos tecnológicos ofereçam oportunidades educativas únicas, não apresentam a componente motora, por isso muitas das conexões neuronais não são integradas. É imprescindível utilizá-los com moderação, garantindo que complementam, e não substituem, o brincar tradicional. A investigação clínica indica que o excesso de tempo gasto em frente aos ecrãs tem sido associado a problemas de sono, atenção e regulação emocional nas crianças.

O brincar representa um recurso essencial para todas as crianças, oferecendo inclusive inúmeras possibilidades de intervenção para crianças com alterações do neurodesenvolvimento. O jogo e o brinquedo são utilizados neste contexto, como um suporte material e uma via de estimulação privilegiada, onde o brincar tem um objetivo delineado pelo técnico e fortalece as conexões neurocorticais críticas para o seu desenvolvimento.

Deixamos algumas sugestões e os seus benefícios:

  • Atividades sensoriomotoras: Saltar, correr, trepar, puxar, empurrar, carregar e explorar diferentes sensações, ajudam as crianças a processarem e a integrarem informações sensoriais, como táteis, visuais, auditivas, propriocetivas e vestibulares, de forma eficaz. Isso resulta numa regulação emocional mais adequada, no desenvolvimento de competências motoras, concentração, participação e interação social, autoconfiança, autonomia e aprendizagem.
  • Jogo simbólico: Ao participarem no jogo simbólico, as crianças exploram diferentes papéis sociais, expressam emoções, praticam competências de comunicação e aprendem a resolver conflitos de forma imaginativa.
  • Jogos e brinquedos de construção: Promove a criatividade, o raciocínio espacial, a resolução de problemas e a colaboração. Além disso, ajudam a fortalecer a concentração, a paciência e a persistência.
  • Música e linguagem: A música estimula o desenvolvimento auditivo e cognitivo, competências motoras e expressão emocional. Expor as crianças a jogos de palavras e exploração de histórias promove o desenvolvimento da linguagem recetiva e expressiva.
  • Atividades ao ar livre: A natureza é um local privilegiado que oferece uma experiência multissensorial equilibrada e possibilidades infinitas para explorar e brincar. É o espaço ideal para inspirar a criatividade e a imaginação, mas também para as crianças se desafiarem, testarem os limites do seu próprio corpo e tornarem-se mais confiantes e melhores a resolver problemas. Brincar na praia, subir às árvores, fazer jardinagem, observar os animais, cozinhar com elementos da natureza são apenas alguns exemplos. 

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