Crónica de uma noite de insónias

Textos de todas as cores
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Se conseguisse dormir... Mas os olhos insistem em esgueirar-se entre as bainhas dos cortinados e ir ver que pássaro é aquele que pia tão alto em cima do pinheiro ao lado da janela. As mãos levantam os cabelos transpirados e o corpo rola e rebola sobre o seu cansaço num movimento que os sábios não baptizaram ainda. Poderia ser rotação posto que é em volta de si mesmo, de translação pois é também em volta ... da vida(?)... Insónia astrofísica...

Não há fantasmas esta noite, devem ter ficado em algum bar, os meus mortos a beber medronho, as mortas a fazer renda.   Uma das cadelas acorda e sai a ladrar furiosa.  Seguem-na as outras, serão ladrões daqueles que andam por aí a  bater em velhos e a roubar plasmas? Levassem o plasma, agora porradas...

Calaram-se as cadelas. Um bicho qualquer.  Aqui há ouriços. Não hibernam. Com este calor quem é que pode hibernar?

Ainda hei de descobrir como é que estas cadelas despedaçam um ouriço e não se picam. Agora ouriços! Foi barulho de ratos. Até os ratos andam gordos neste jardim. Os pássaros não comem amêndoas nem pinhões e os roedores engordam. Por mim,  vivem. Não gosto de venenos, além disso são ratos saudáveis e os olhos deles... Deu-nos  para embirrar com os ratos quando há por aí coisa pior.
Tomara dormir.

Julieta Lima
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