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Página de um diário

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No Dia da Mulher aparecem muitas mulheres com caras de parva na Televisão.

Há uma amiga minha que já está enjoada com os dias da mulher e quer que eu assine uma petição com ela para se passar a ter “O Dia do Cão”.
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Agora vou contar o meu “Dia da Mulher” de hoje, que foi passado com outra mulher, por não haver mais ninguém por perto para me acompanhar.

O meu marido, como não era o dia dos maridos, foi almoçar fora com mais dois marmanjos amigos que desde que estão reformados só pensam em comer fora e em experimentar todos os restaurantes que conseguirem antes de estoirar os fígados.

Eu que sou mulher já estoirei o meu com outras coisas próprias da mulher, logo que cheguei à menopausa.

Voltando ao dia de hoje:
Para começar choveu o dia todo radiosamente, o que deve ter a ver, para as mulheres mais religiosas, com a disposição do S. Pedro em relação ao Dia da Mulher, não havendo ainda um “Dia do Homem”, como seria de toda a justiça estar já instituído, por o homem ser mais importante que a mulher logo desde o momento em que ela foi feita de uma costela dele e Deus o mandou tomar conta dela.

Depois de ter ido debaixo de chuva tomar um café, para festejar, ao Centro Comercial do meu bairro, onde hoje só estavam mulheres felizes, voltei para casa para as minhas ocupações costumeiras, que são agora muito leves por eu já ter o meu esqueleto esfatajado dos carregos que fiz ao longo da vida, incluindo todas as malas das férias de todos os anos de férias que fizemos ao longo de toda a vida de casados.

Isto porque o meu marido já nasceu com muitos problemas de coluna, um objecto que faz parte do esqueleto dele e que sempre lhe deu muitas dores e o impediu de fazer força de carregar, sendo até alcunhado de marrequinho pela minha amiga que quer que seja instituído o dia do cão.

Ultimamente, por receio de que as dores provocadas pela coluna alastrassem aos calcanhares, fez-se um TAC que mostrou que a coluna está como nova, mas as dores não passaram nem um bocadinho.

Quando cheguei então do café no Centro Comercial, a minha empregada já tinha chegado.
Foi com ela que passei a tarde, quer dizer a parte da tarde que consegui antes de tomar um calmante e me meter na cama.

É que a minha empregada é casada com um homem muito bêbado, daqueles que passam o dia aos palavrões e aos tombos pela casa e a gastar o dinheiro em rodadas pelos bêbados amigos na taberna lá ao pé.

Tem dois filhos, um que tem juízo mas a quem o ordenado não chega para alimentar a sua mulher e dois filhos crianças, o outro que nem sequer tem ordenado e é casado com uma fazedora de churros nas feiras e também tem dois filhos pequenos, e então a minha empregada, além de trabalhar fora todos os dias, chega a casa e começa a fazer pasteis para vender até de madrugada, para arranjar dinheiro e valer àquela tropa toda, que nem sequer reconhece e agradece o que ela faz.

Depois não consegue dormir e fica tão desatinada que quando chega ao pé de mim conta-me tudo tal e qual, imitando os gritos do marido e dos filhos de tal maneira que um destes dias os meus vizinhos pensam que há cá cinco ou seis mulheres a discutir.

Foi o que aconteceu hoje.

A meio da tarde, como já disse, resolvi meter-me na cama.
Viva o dia da mulher.


Beatriz Sousa

 

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