Estudar onde é bom mover (e sobreviver)

Solta-mente
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Na semana passada fomos de combóio. Hoje vamos de autocarro… para comprovar mais do mesmo, até nos circuitos dentro da capital algarvia.

Os “Próximo” não estão assim tão próximos do público. O diagrama é um autêntico rabanete colorido para quem não conhece Faro. Até para quem conhece, a coisa é absurda. Basta ir ao site para comprovar o que escrevo.

Tudo na vida tem horário. Os minibuses passam de 15 em 15 minutos, em dias de semana, mas ninguém sabe muito bem quando. As carreiras não estão identificadas nas paragens e o site fala em coroas, em zoneamentos e os passes têm nomes como “PXM1” e “PXM4 (antigo F2)”. Claríssimo!

A medalha não acaba aqui porque podemos comprar um passe combinado com o circuito. Por exemplo… o “PXM13” que vai da coroa 1 até ao máximo de 3 zonas da linha. O diagrama tem linhas às cores, não fala em coroas. Logo estas coroas não estão… de caras. Mas as viagens são… caras.

E depois… há o tal contacto com a realidade que não parece ser a mesma do resto do mundo. Nos tempos “da outra senhora” a juventude ia-se bem cedo. Hoje em dia, numa cidade universitária, há estudantes com datas de nascimento anteriores ao que a rodoviária apoia. É triste!

Exemplo: alunos de pós-graduação ou de mestrado da Universidade do Algarve. São estudantes, sim, embora mais entradotes… e como tal deviam poder usufruir dos descontos dados nos passes como acontece com os colegas mais jovens. Sei lá, se a Universidade lhes deu Cartão de Estudante, então… são estudantes, certo? Não é alguém da bilheteira da rodoviária que perante a apresentação do cartão para o desconto no passe que deve dizer “Ah, não, já não é estudante! É só até aos 25!”. Então, mas… o Cartão Universitário da Ualg é inválido?

Há pessoas que dependem dos descontos estudantis. Estão a vir de todos os países bolseiros e bolseiras para “estudar onde é bom viver”. A Universidade congratula-se, ano após ano, por esse aumento, que é boa notícia. Estes estudantes, quando chegam à rodoviária dizem-lhes que não são estudantes. É a bilheteira da Eva Transportes que avalia os Cartões de Estudante emitidos pela Ualg? E ninguém diz nada?

Tendo em conta que a juventude é um estado de alma… e de dependência parental, visto que a sociedade evoluiu, estas coisas deviam ser revistas. Para já, Faro, cidade universitária, tem linhas de autocarros a servir a Universidade, mas uma maneira muito própria e divergente de considerar quem é, ou não, estudante.) Procurei. Não encontrei em lado nenhum no site a idade máxima para o passe estudante, mas conheço um aluno estrangeiro de mestrado que provou que o era e mesmo assim, não teve direitos. Querias era desconto! Vai trabalhar, mas é! Estas palavras são ironia minha, mas é a isso que tresanda. E é triste para toda a gente. Para a transportadora, é um bocadinho mais que feio.

Selma NunesEstudar Universidade

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