Solta-Mente: Afinal é Mesmo Páscoa

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Estamos na fase da mitigação. Estamos em pandemia global. Estamos na “Guerra do Achatamento da Curva”, a meio da “Batalha do Aplanamento do Pico”, em videoconferências intergalácticas para o país e para o mundo, e há gente a ter as ideias que podem fazer a diferença na vida de outras pessoas a pequeno, médio e longo prazo.

Dizem que estamos ou que, provavelmente, vamos ficar meio loucos. Certamente, estamos a ficar mais pobres. Há a preocupação de que os miúdos fiquem meio analfabetos. Estamos a trabalhar diferente, de uma maneira ou de outra. Alguns e algumas de nós, a trabalhar no limite máximo das suas capacidades. Outros e outras, sem trabalho e/ou sem futuro.

Estamos a bater tachos nas varandas. A fazer música. A ler. A fazer o pino. A meditar. A correr em seco. A tentar estabelecer novas rotinas. A trabalhar para manter o país e a saúde de pé. A sobreviver. A tentar ajudar, sabendo que a vida humana não pode ser penhorada para que alguns tenham uns momentos felizes. Estamos a assumir a responsabilidade das nossas acções. Estamos a ser e estamos a estar.

Depois, há aquelas pessoas que acham que estamos, sobretudo, na Páscoa e que é tempo de vir para as segundas habitações e casas alugadas, fintando as autoridades e todos os pedidos de bom senso, pensando que as regras são boas apenas para os outros. É um acto de imbecilidade, mas ainda assim, cá estão e é Páscoa.

Vi a notícia que dizia que o “Exôdo” tinha sido pequeno, mas que tinha acontecido e que pedia que se comportassem, já que cá estavam, no Algarve. Não sou muito dada à religião, mas o que me passou pela cabeça foi isto: na história da humanidade, sempre houve pessoas a preferir as tais das trinta moedas de troca em desfavor de outrem. Afinal, estamos mesmo na Páscoa.

Selma Nunes

MesmoPascoa

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