Solta-Mente: 'Quebra-Cabeças Balnear'

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Estou aqui a coçar a cabeça de confusão, pois foram divulgadas as lotações máximas das praias. Parece que medindo o areal (contando com maré vazia e preia-mar), parqueamento disponível, acessos e outras condições, e fazendo contas a uma ocupação de 8,5 metros quadrados por cabeça de veraneante, apareceram uns números de lotação máxima por praia que, alegadamente, permitem o isolamento social e a segurança.

Algumas vozes se levantaram contra os números desta ou daquela praia. Algumas pessoas acharam as contas mal feitas. A minha dúvida não são os números. Antes do Covid19 as praias já tinham capacidades máximas, de risco ambiental, que eram excedidas e ignoradas Verão após Verão. O caso é que olhei para a informação disponibilizada e não consigo compreender como será feito o controlo do areal, por quem, com que bases, com que excepções e acima de tudo, com que direito. 

Consta que será o ISN e Polícia Marítima, no areal e talvez à entrada, ou nos estacionamentos, com uma ajudinha de uma aplicação para smartphones, para quem se sabe desenrascar com esses equipamentos, o que me faz sorrir um bocadinho. O Covid19 obrigou-nos a dar um derradeiro salto tecnológico.

Ainda assim, nem todas as pessoas têm cabeça para aplicações nos telemóveis. Nem todas as pessoas vão de automóvel para a praia. Há quem vá de bicicleta, de combóio, de autocarro, e, aqui para as minhas bandas, de barco de carreira. Será que vão andar a contar cabeças? Onde? 

E aquelas pessoas que têm o mau hábito, incivilizado e de maus fígados, de marcar lugar bem cedo, como foi reportagem, ano após ano, em Quarteira? E toda a frustração que se acumula a quem, após percorridos alguns quilómetros de costa, de não haver lugar em praia nenhuma, com as crianças a dar-lhes cabo da cabeça? 

E no acesso às ilhas barreira? É que uma coisa é ir para a praia, outra coisa é quem tem lá casa e veio comprar sabe-se lá o quê, a terra. Se a praia estiver na sua lotação máxima, as pessoas não vão poder deslocar-se até casa, enquanto os outros não regressarem? Ou não se controlam as passagens nos barcos, e após pagarem os bilhetes da travessia, dizem aos banhistas que a lotação de cabeças daquela praia está esgotada e que têm de voltar a apanhar barco para trás?

Será proibição, ou apenas recomendação? Com que bases, com que direito, e como se conseguirá controlar e aconselhar uma população cansada, ávida de mar e que parece perder a cabeça quando chega a bem nomeada “silly season”? Espero estar errada nisto, mas daqui de onde estou sentada, parece que vai haver muita gente ao estalo. E perante este quebra-cabeças balnear, estou aqui a coçar a cabeça a achar que podem rolar cabeças se isto não for planeado com cabecinha…

Selma NunesQuebraCabecaBalnear

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