Solta-Mente: Rescaldo da semana

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É impossível não nos chocarmos com as imagens dos transportes públicos da capital, máscara em sovaco alheio para ir trabalhar. Parece que será necessário subsidiar os transportes para que aumentem os números de carreiras, ou todo o esforço anterior terá sido em vão. Quem sofre com isto é sempre o mesmo: o pobre que precisa de ir trabalhar.

Além disso: anos a valorizar, para o bem dos mercados, a auto-indulgência e o individualismo, a implantar nas mentes a necessidade de consumir experiências e que sem consumo não há vida plena, o que se esperava? Além disso, os conceitos de festa “legal” e festa “ilegal” estão a deixar as muitas pessoas revoltadas e o exemplo não está a ser servido igualitariamente. A mensagem tem de ser clara.

Este alarme todo com os novos casos: avisaram que aconteceria, não há vacina, nada mudou, certo? Mas, se olharmos os números em vez de ouvirmos a música apocalíptica das notícias servidas como sobremesa do jantar, saberemos que realmente temos focos de transmissão, como em todo o mundo, mas o número acumulado não é o número de infectados activos. Esse número de infectados activos até é pequeno, por mais que a notícia de última hora nos fure os tímpanos, como se estivesse a anunciar o escândalo máximo e o fim do mundo, repercutido em raivas extremas pelas redes sociais até ao infinito.

O que realmente está a suceder no meio desta banda sonora toda, já escrevi a semana passada: estão a tentar fazer de Portugal o mau aluno (outra vez) para nos gamarem os poucos turistas que decidam viajar. É por isso que nos trancam as fronteiras: não é para que não entremos na Grécia, ou na Dinamarca, entre outras! É porque uma coisa dita muitas vezes por muitas pessoas diferentes, verdade ou não, tem tendência a ficar encaixada nas mentes como verdade. Estão a tentar azucrinar-nos a época turística (ou o que resta dela). Enquanto nos preocupamos se o Centeno vai ou não para o Banco de Portugal, outros países arrebanham-nos os turistas e nós, caladinhos e caladinhas, a apontar dedos a jovens, a velhos, a políticos, ao PAN… uma confusão. Precisamos de diplomacia séria ou quem se lixa, é, em grande parte, algarvie.

Selma NunesRescladoSemana

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