Solta-Mente: A Praça Pública Virtual

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Um dos sinais de que a malta não anda bem é a tendência para discutir nas redes sociais, para toda a gente ler. Em público. Deve ser um vírus da família daquele micróbio que levava a “guerreias” em praça pública, baseando-se na simples premissa de “para que vejam que não como calado ou calada”, assim uma coisa de honra, mas com mais gente a visualizar e a gritar “grande gancho, parte-lhe os dentes todos!”.

Ainda pensei que fosse sintoma da falta de convívio com o mundo exterior durante o confinamento, mas a verdade é que vem de antes, além disso, as pessoas já andam na rua e não passou. Mesmo assim, as discussões em rede social, são violentas, palavrosas, gritonas, grunhentas e injuriosas. As respostas também não são o orgulho dos educadores. 

A “imagem social” tecnológica, a aura “perfeita” criada em meio online tem muito poder e ganhou um revestimento de importância vital, como de extensão da personalidade (quase como “branding”) que é e será ainda muito estudada, creio. É quase como a defesa da honra do “eu” público… uma coisa esquisita. 

Não será mais bonito, ser elegante, em pleno século XXI? O pior é que sim, mas isso é pouco eficaz. O público torce pelo que faz mais barulho, ou que entra em mais lutas. O que chama mais a atenção. Temos tido provas disso nos últimos anos, até em eleições. 

Apesar de haver consciência das mentiras que se constroem nas redes, há quem não resista a uma praça pública interactiva onde não aparece a polícia a separar e onde se podem dizer todos os disparates para se atingir todo o tipo de fins, inclusive, publicidade gratuita. Espero que estas arenas sejam reguladas brevemente, ou este “branding” honroso, orgulhoso e vaidoso do “eu digital” vai escalar da deselegância e mau gosto egocêntrico para esferas públicas, como um hino ao analfabetismo mental. Pessoas inteligentes, não se deixem levar nesta onda. 

Selma NunesPracaPublicaVirtual

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