Solta-Mente: Vamos "Salvar o Natal"

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Já vos contei que sou fã de ficção científica? Sou. Daquela que explora a natureza humana, e as consequências directas e indirectas das atitudes, decisões, credos, escolhas, acções, ímpetos, decisões, sentimentos e toda essa confusão humana que somos nós, o que tem de belo… e de feio. Por mim, pode ser distópica à vontade, desde que seja coerente com o que somos, ou com o que nos tornámos e pode haver seres esquisitos também. Não gosto é de zombies: tema recorrente e chato.

Desde Março tenho vindo a observar que a ficção científica parece ter entrado nas nossas vidas e assinalado um caminho paralelo que nos vimos todos forçados a seguir. Os media mudaram rapidamente de armas para nos secundar. Se antes o jargão económico e financeiro apocalíptico furava os tímpanos até ao infinito do tédio, agora é tudo médico-científico e até uma criança saberá já o que é uma “zaragatoa”, “isolamento profiláctico”, etc.

Depois, e apesar de termos sido todos muito bons durante o confinamento (pelo menos era o que diziam, e nós em casa, acreditámos um bocadinho) os mais recentes números são atirados como ralhetes a crianças. Quando tudo falha há que enfiar a responsabilidade a alguém, ou os responsáveis serão escolhidos democraticamente.

Sou cumpridora. Não pertenço a nenhum movimento mentiroso que se intitulará “não-sei-o-quê-pela verdade”, pois esses são, regra geral, falsos. Só não consigo deixar de questionar o modo da narrativa, mais do que questionaria o que me apresentam como factos na ficção que escolho. E, talvez pela natureza de alguns comportamentos, mereçamos os ralhetes infantis e a saída do ramo da ficção científica para uma coisita mais suave e pedagógica. 

Entrámos no mundo da fantasia e vamos todos juntos, pelo caminho do arco-íris, “Salvar o Natal”. Eu até gosto do Natal, mesmo sabendo que é o pesadelo consumista do ano a seguir a Agosto. Até vou pedir livros para colorir à Mãe Natal. Ela entenderá que preciso de acalmar o stress que isto me dá. Tenho de parar de escrever, pois está na hora do copinho de leite de soja morninha.

Selma NunesSalvarNatal

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