Solta-Mente: Nunca a Tour foi tão Mundial

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Lembram-se da excitação que levou todo o tipo de mundividentes aos telejornais há quase vinte anos? No final de Dezembro de 1999 calhou-nos logo a nós existir nestas carapaças e fazer essa contagem decrescente, com aquele misto de ansiedadezinha e esperança festiva a bailar nas córneas iluminadas por fogos de artifício. 

O que aconteceu? Tudo e nada. O mundo não acabou quando chegou a “zero”. Aliás, o “zero” é diferente consoante a geografia, se fosse para acabar no “zero” teria de ser por partes, respeitando os fusos horários, acho eu. 

Ficámos com um ano novo a estrear. Virámos a página do século e do milénio e lá encarámos a coisa com seriedade corriqueira. Eu fui continuando sem perceber muito bem como as voltas que damos na Terra à volta do Sol nos vão mudando para sempre, como sempre, sempre que os anos vão passando e não sempre que fazemos a tal da contagem dos últimos segundos de um ano. As nossas escolhas e as escolhas de quem nos acompanha nesta tour mundial é que parecem ditar a música do baile das nossas vidas. 

Entretanto, se pensarmos, tem sido uma viagem atribulada. Habituámo-nos a cada coisa, desde então. O salto digital informatizou-nos, globalizou-nos, fortaleceu-nos, enfraqueceu-nos, informou-nos e também nos desinformou. As Torres Gémeas. O sonho americano era uma produção de Hollywood? A ascensão do telemóvel que tira fotos. O poder da internet. As redes sociais. O terrorismo. A luta contra o terrorismo. 

A ciência avançou tanto e tem tanto poder que há quem tenha interesse em desmenti-la. Estamos quase no final de 2020 e há muitas coisas que estão esquisitas. Daqui a um mês faremos a tradicional contagem decrescente. Depois disso, como sempre, passo a passo, chegaremos ao amanhã. A quem for optimista, como eu, pode desejar que as nossas opções e as dos outros sejam as mais acertadas para que possam os fogos brilhar o máximo de anos possível em todas as córneas. Nunca a tour foi tão mundial. Sejamos responsáveis, para que haja amanhã para todos. Façam o que puderem e não entrem nessa de abanar o bote para ver se vira, para depois reclamar que caíram à água.

Selma NunesTourMundial

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