Solta-Mente: E "Lá fora a chuva Cai"

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Tem sido difícil arranjar tema para o riso e para a escrita quando não vejo nem vivo coisas novas, entre casa, trabalho, álcool gel, notícias e zero vida social. O que é maçador está a ficar tão habitual que nem para mim, que sou dotada de sentido de humor fácil, tem piada. A imaginação vai murchando. Água a mais para vida a menos. Enquanto ando nisto, chove e o nosso Algarve inunda.

Enquanto vejo a chuva a cair e a formar rios onde estavam as ruas, na tv, o outro Rio anda a construir pontes desventurosas, das que eu (e muito boa gente) não gostaria de ver a nossa República atravessar. Preferia que arregaçasse as calças, como a senhora que se esforça por chegar a casa aqui na minha rua. Vejo daqui o resumo da votação da Assembleia da República e nem nas minhas deambulações interiores mais férteis, cheias de cenários imaginários improváveis, há tanta confusão. É tão mau que nem tem piada. E pela janela, vejo que os sifões de esgoto já passaram à história, mas a vizinha lá chegou a casa. Moral das duas histórias: “quem anda à chuva molha-se.”

Enquanto a água das chuvas pouco aproveitada corre para a costa, noto um crescendo virar de costas ao Costa. O poder, se tiver cheiro, cheira ao vinagre das iscas. Tem requintes ácidos, enquanto as pessoas, assustadas e fartas vão ficando com maus fígados. É um trabalho perigoso, este de andar à chuva, pois pode não compensar o esforço. Escrever sobre chuva também, mesmo tendo o privilégio de não me molhar, o jantar ficou frio e continuo à procura do humor disto. E hoje, estou em casa de tolerância, num mundo com cada vez menos. “E lá fora a chuva cai…”

Selma NunesChuvaCai

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