Solta-Mente: Ajuntamentos de pó na via pública

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Quando o deserto viaja até nós, não respeita o confinamento e deixa cartões de visita lamacenta nas nossas viaturas qual publicidade não desejada, o meu sorriso fica amarelinho a combinar com o céu.

Quem não disse um único palavrão face a varandas, janelas, carros, motas, vasos, sei lá… decorados de enlameada imundície, merece um prémio de tolerância. Confesso que a minha confinada paciência já não consegue ganhar esse prémio. Não, com as recentes notícias de uma Europa que volta atrás na abertura e que corre contra o tempo na vacinação.

E nem me vou alongar no mau feitio mencionando a semana em que colocaram em causa uma das “luzes ao fundo do túnel”, dando-a como possivelmente fundida, para depois revogarem as suspeitas. O laboratório aproveitou para fazer uma espécie de “rebranding” à dita vacina e começaram a fazer a tal da campanha para restabelecer a fé na vacinação, que, até onde consegui perceber, foi uma massagem localizada política, para pressionar alguns pontos críticos nas espaldas britânicas.

Enquanto “business as usual” vai desfolhando como se fosse uma novela, vou olhando pouco resignada para o ajuntamento de pó no outro lado da janela. Devia ser proibido o pó juntar-se assim e vir para o Algarve, quando o resto da malta nem de concelho pode mudar. É isto que tenho a declarar.

Selma NunesPoViaPublica

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