Solta-Mente | Preâmbulo do Outono

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Chega o preâmbulo do Outono, enfim. As árvores em sessão de strip pública, atirando suave e indiscretamente ao chão as suas folhas, embaladas pelo fruir de uma brisa que já vem mais fresquinha a cada dia que passa.

A calmaria nas ruas, como se o tempo parasse de repente, por momentos. Saber que entramos nos últimos cartuchos de um ano e por comédia anacrónica, o fim do ciclo sabe-me a impostor, pois sinto-o desde sempre como início.

As primeiras chuvas fazem-me abrir as narinas à procura do cheiro a terra molhada, misturada com o sal da Ria. As primeiras chuvas cheiram a cadernos acabados de comprar, a livros por abrir, à nostalgia do início das aulas e toda a comoção que se sentia nos dias que eram também o meu início, enquanto rascunho de um qualquer projecto final, que nunca acaba e cujo lema sempre foi crescer.

As primeiras chuvas são tempo de avisos meteorológicos.

Nas redes sociais (e canais de informação) o melhor é avisar todos os munícipes que vai chover e ventar. É sabido de experiências anteriores que diversas coisas vão acumular-se nos sistemas de drenagem e escoamento de águas e todas as zonas que costumam encher-se de água quando há muita chuva, imagine-se: vão continuar a encher-se de água quando chove.

Neste final de ciclo que sempre sinto como início há coisas que nunca mudam. Prevenir é o melhor remédio e não há prevenção como esta. Limpem os algerozes e não façam piqueniques debaixo das árvores em dias de vento e trovoada. Aquilo que inundou no ano passado vai continuar a alagar todos os anos e aquilo que não caiu por mera sorte no ano passado pode sempre cair este ano. Todos os municípios estão a prevenir, avisando! O preâmbulo do Outono, a calmaria nas ruas, as primeiras chuvas, os avisos meteorológicos, as primeiras cheias e os avisos das primeiras cheias. É uma crónica quase romântica.

Selma NunesPreambuloOutono

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