“Renaturalização” não é biodegradável: sound bytes de uma nova espécie

Solta-mente
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Como uma lapa no casco de um velho navio, agarra-se esta nova espécie parasitária a chavões recentemente aprendidos, babujados pela ideologia do euro no bolso.

Esta espécie aprendeu a esconder a verdadeira intenção atrás de palavras tendencialmente bem aceites pela opinião pública. (Porque a opinião pública também é de modas, agora anda meio mundo a tentar ser mais correto que a outra metade!) Há uma tendência generalizada para julgar o vizinho. Esta espécie aproveita-se disso. Quer isso. Quer muito. É doentio.

Vejamos: “renaturalização” é sinónimo de “demolição de casas”. É mais aceitável porque isso do natural, agora está na moda e ninguém gosta de falar de entulho. Assim, a extinção (leia-se renaturalização) das comunidades das ilhas barreira é medida para prevenir e tratar (e agora não sei que palavras deva usar, estou confusa!) o aquecimento global/alterações climáticas (?) em Portugal - pois a demolição das casas nas ilhas barreira com certeza vai resolver esse grave problema nacional e quiçá mundial! Tapar os esgotos que fluem para a Ria Formosa, é que já nem tanto. Porque os esgotos não podem ser “renaturalizados”… já cá estão outra vez as toxinas nos bivalves da Ria e ainda nem chegámos ao Verão.

Depois, dado que esta espécie é muito ambientalista (juro que coloquei a mão no peito para escrever esta frase!) e quer tudo no estado natural, ou “renatural” agarra nos mesmos chavões e vai meter artificialmente areia na Praia da D. Ana em Lagos, que é bonita, mas pequena e precisa-se dela maior… para caberem mais… umas toalhas, para servir… a empreendimentos de luxo, ignorando completamente as associações ambientalistas. Porque esta nova espécie é mais do que simplesmente ambientalista: é fundamentalista, euro-ista. Ou fundamentalmente neo-liberalista. Na minha opinião esta nova espécie devia ser “renaturalizada”. Tem areia na cabeça e agarra-se a euros europeus que nem lapa.

Selma Nunes

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