Obstáculos, acessibilidade e um galardão – os limites da vontade

Solta-mente
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As nossas cidades têm, na sua grande maioria, bermas de passeio altas, calçadas em que só passa meia pessoa (e à vez!), escadas intermináveis, rampas mais adequadas aos desportos radicais que à passagem de pessoas com mobilidade condicionada, passadeiras em locais perigosos, passagens pedonais só para atletas, enfim, um sem número de coisinhas um pouco chatas, num país europeu, que tal como o resto da Europa, tem a população envelhecida e uma larga fatia de população condicionada temporária ou permanentemente.

Ou seja, nada de autocarros, para os quais é preciso alçar a perninha, nem comboios, se viajar com a malinha. Ironias à parte: é preciso pensar as nossas cidades. A mobilidade é um direito e não devia ser pensada aos soluços. Ou só falada, que mais parece que o estão a fazer para inglês ver.

No século passado o Homem chegou à Lua, mas um século depois não consegue abrir caminhos na Terra para os seus semelhantes. E não é nada tão difícil quanto fazer viagens à lua, passear de submarino ou construir sabe-se lá quantos estádios de futebol em tempo limite. Não me falem em euros, porque o que há é muita conversa e muita falta de ação. E vontade.

O nosso Algarve não está preparado para velhos (e não só!) e o pior é que com sorte, lá chegaremos.

Tirei os olhos da crónica para curtir o som de “Angie” dos Stones, naquela parte em que Jagger pede à Angie que o deixe suspirar-lhe ao ouvido, o malandro… e reparei na t-shirt que tenho ali pousada, ainda dobrada como veio. É uma t-shirt preta, simples. Diz: “Nós somos Ilhéus”, mas só por acaso, não é essa parte que se lê daqui. Daqui lê-se “Juntos somos mais fortes”. Eu acredito que sim. Em todo o lado. Somos, caramba! E juntos, transporemos obstáculos, mentais ou físicos e nada nos limitará, pois os limites somos nós e as estrelas. “But Angie, Angie, ain’t it good to be alive?”

Selma Nunes

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