A areia é o ouro algarvio – como destruir o que se quer proteger

Solta-mente
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É graças à areia que vamos sobrevivendo, na morte de muitas atividades, agarrando o turismo como uma boia salva-vidas. Nem que seja por três meses em doze.

O que choca nisto é o crime ambiental que se perpetua sob a égide da defesa do ambiente ou então da segurança dos banhistas. Tretas. A ideologia está mais podre que a areia que estão a colocar na Praia do Farol. Veja-se o que aconteceu na Praia da Dona Ana.

Pela preservação do cordão dunar e dragagens (o que está certo, mas não assim!), colocam-se areias negras e lodosas na Praia do Farol, que sempre teve areia branquinha imaculada e inodora. Agora já não tem porque os meios suplantaram os fins, graças à solução dos que têm vestido a camisola do ambientalismo extremo, tendo em conta que as areias da costa e da Ria são diferentes e estas ações, sim, desequilibram o frágil ecossistema que se pretende proteger. Contudo, está tudo cego, surdo e convenientemente mudo.

O núcleo da Ilha da Culatra todos os dias ouve dizer que é diferente, especial e lindo, mas na verdade, as areias sobre as quais habitam e às quais pertencem estas gentes são jurisdição de tantas entidades diferentes que nunca mais se resolvem a proteger de vez esta comunidade. Despachem-se com isso e parem de atirar com areia aos olhos das pessoas.

Com o hiato que está a ser criado, vão acabar por provocar o que querem prevenir e vão destruir o que querem proteger e isto porque se está a tentar poupar tostões ao mesmo tempo que se demonstra poderio. Tanto quanto sei, é a terra que manda em nós. Porque “terra é sempre terra”. O resto são narizes. Uns andam de narizes empertigados por sentir poder e por serem os maiores ambientalistas à face da terra, outros andam de narizes torcidos, porque esta história cada vez cheira pior. Há que pensar legitimamente em defender o que é suposto ser protegido. Até agora, só tenho visto tentativas de demonstração de poder e uma vontade imensa de ter a chave do cofre do ouro algarvio nas mãos sequiosas de comando sobre terra.

Selma Nunes

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