Recuso-me a pensar como terrorista! Tenham mas é vergonha, pá!

Solta-mente
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Como é possível divulgá-lo, como se fosse a coisa mais digna do mundo este tipo de ideal de extrema-direita, que cheira a podre, cheira a fome e ambição egoísta, cheira à extrema-unção de mentes que poderiam ser construtivas, se não tão encarquilhadas na própria mesquinhez. Fezes! Não aguento mais tanto terrorismo! Cheira mal. Lavem essas bocas xenófobas, cobardes, racistas de uma vez por todas e abram os olhos. Virar a cabeça e ter pena das pessoas somente se aparecerem na televisão é patético! Abram os olhos e sejam humanos, sejam dignos, ou quando muito pratiquem o cristianismo que vos salta das goelas, mas não do coração.

Terrorista é aquele que pratica o terrorismo. O que tenho lido, escutado são autênticos atos de terrorismo impiedoso, na ideologia parecido com aquele que grassa nas terras de onde vêm os refugiados.

Na última vez que a Europa olhou para o lado e se manteve no seu quintalinho, a regar as suas rosas, o mundo caiu na mais absoluta das bestialidades. Foram aniquilados cerca de seis milhões de judeus, enquanto todos assobiavam para o ar. A Alemanha não tem estado a olhar para o lado, desta vez. E nós? “São coitadinhos, mas não temos nada a ver com isso?” Esse tipo de pensamento vale zero. Humanidade zero.

Todos tinham pena dos refugiados sírios quando estes apareciam, coitadinhos, nas tv’s das suas casas. Agora sabe-se que o nosso país, a nossa região vai receber essas pessoas. Pessoas como nós, dois olhos, duas bocas, um nariz. Pessoas que que precisam de ajuda. Pessoas que enquanto nós regamos as nossas rosas, olhando para o céu azul do nosso Algarve e vamos reclamando do Governo à beira das nossas praias de mar azul-turquesa, estão a ser aniquiladas no país de origem e tentam fugir de lá porque não querem morrer. São vítimas de guerra. De crimes. Perderam tudo. Não receber dez porque pode lá estar um terrorista? Terrorismo é pensar como um terrorista. Eu estou aterrorizada! Tenho visto autênticos ataques terroristas, bombardeados como opinião nas redes sociais, na televisão, em todo o lado.

É preciso ver um bebé afogado na televisão para se perceber o drama humano? Portugal é um país de emigrantes. Portugal emigrou e continua a emigrar. Muitas vezes para o quintal de outros. Todos temos um terrorista destes na família, que procurou viver melhor noutro país.
Não temos condições? Na Síria destruída, com bombas a cair aos pés de certeza deve haver mais! Eu tenho andado a escutar em choque o que se vai dizendo. É arrepiante!

Países! O que são, afinal, as fronteiras políticas comparadas às limitações que os humanos impõem uns aos outros?

Os contestatários à vinda de refugiados não merecem a honra de receber estas pessoas que já passaram por tanto e que tanto devem ter para ensinar. Os refugiados ainda estão vivos, porque lutam para isso. Todos os dias. Estas vozes que se levantam contra os refugiados já não estão cá para mais do que coçar as próprias barrigas e comover-se em frente à televisão, porque essa é a única distante realidade que aguentam na suas sensibilidades de reality show, com um pacotinho de lencinhos à beira do sofá, para limpar as lágrimas que cinco minutos depois já esqueceram.

Selma Nunes

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