Tantas vezes vai o cântaro à fonte… que um dia a fonte desaparece?

Solta-mente
Tools
Typography

Consta que as autoridades responsáveis não sabem muito bem como aconteceu, mas facto é: a Fonte/Poço de Boliqueime, que faz parte da memória coletiva das gentes de Boliqueime, foi destruída. Diz-se que era para dar origem a mais uma rotunda nas eternas obras da EN125.

Agora, ninguém foi, ninguém sabia, nem estava previsto e tudo aponta para uma óbvia falha de comunicação. Não sei, diz-se que ninguém sabe, mas é chocante e a fonte/poço ficou transformada numa ruína desfigurada.

Apurando culpas ou não, assistimos a uma declaração da total e completa falha das parcerias que deveriam estar a ser criadas a favor da região e das suas populações, para que com a junção de saberes, poderes, interesses, as obras que são feitas sirvam mesmo a todos e não arrasem com os símbolos de identidade, com as comunidades, com o património… e todas aquelas coisas que nos tornam únicos.

Pois, consta que é exatamente por sermos únicos e termos identidade que é preciso arranjar, alargar, tornar transitável o buraco que é a EN125. Se partirmos o património, de nada nos servirão as grandes rotundas e acessos.

Quantas mais vezes têm de ir os cântaros à fonte e ficar sem asas para que nesta região exista o verdadeiro envolvimento, dedicação, participação, informação e comunicação e que estes não sejam meros chavões escritos e sem sentido como pró formas obrigatórios nos projetos?

anigif fonte_boliqueimeLá se foi a fonte. E agora? Após águas e capotes sacudidos, zanga-se a comadre, denuncia-se a total descoordenação do sistema e avança-se em trânsito circular? Faz-se uma nova, in memoriam, mas sem a autenticidade original?

Fotos das ruínas da fonte: CML

Selma Nunes

BLOG COMMENTS POWERED BY DISQUS