A dificuldade nas relações humanas

Solta-mente
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Para uma relação humana de qualquer género tem de haver dois pólos para que se consiga estabelecer, como o próprio nome indica, uma relação entre um elemento e o outro. Numa relação de afecto entre dois seres acontece exactamente a mesma coisa.

Quando um não existe, o outro não pode ser relacionado, nem há relação. O que acontece é que nós, os humanos, somos seres complicadíssimos e muitas vezes não queremos admitir a realidade e arrastamo-nos para situações complexas por não querer ver que não há maneira de relacionar se o outro elemento não é relacionável. Não há uma relação de amizade se não houverem dois amigos, não há uma relação de amor se não existir o outro.

No outro dia fiquei a pensar nisto. Não que tenha chegado a alguma conclusão, mas reparo que o ser humano, cada vez mais racional, rodeia-se de objectos que lhe facilitam a vida, as comunicações, os negócios, foi à Lua no século passado, mas não chegou a aprofundar a sua emocionalidade. É por isso que em pleno século XXI, a nossa humanidade, puxada ao extremo do racionalismo lógico, tem cada vez mais dificuldades em lidar com o campo dos sentimentos e da emoção. Ficamos boquiabertos quando lemos histórias nos jornais, ou as vemos na televisão e não percebemos.

sozinhoO ser humano, em plena era da comunicação, está cada vez mais sozinho, fechado sobre si próprio. Os homens e mulheres dos nossos dias temem as emoções, reprimem-nas, como se estas fossem uma foto de infância ou adolescência que não queremos mostrar a ninguém. Este culto hipócrita da frieza provoca mazelas que nos casos extremos, são autênticas bombas relógio. Se o humano se sente sozinho, então apercebeu-se de que não há relação, ou das relações que tem, nenhuma o completa. É o mesmo que dizer que não há relação. Isso gera mais e maior isolamento. Os mais fracos de nós não aguentam tanta hipocrisia e explodem. Uns trabalham demais, outros recorrem à violência e mesmo á auto destruição. Há uma vitimização gritante, que não seria necessária.

A incompreensão a que se julgam destinados atinge formas e proporções que os levam a cometer as maiores loucuras. Serão loucuras, ou pedidos de ajuda?

Tudo isto porque numa relação são precisos dois elementos. Quando um elemento vê que não há relação possível, entra em desespero. São carências. O ser humano sente necessidade de se relacionar, certo? Mas como, se cada vez tem mais meios, mas vez cria também cada vez mais barreiras? Então como solucionar esta questão? Psicanálise? E quem ganha o salário mínimo? Quem é que paga a psicanálise? E quem é que admite precisar de disso? Ninguém!

E depois admiram com a quantidade de casos de desespero maligno que andam aí. As pessoas não se exprimem e ficam espremidas, estéreis, vazias e depois descobrem que não querem ser assim e buuuuuum... a seguir é um escândalo. E depois admiram-se... não é? Continuem a cultivar isso para ver como chegamos ao animalesco mais depressa do que se não tivéssemos regras...

PS – A autora tem consciência de que exagerou um bocadinho, mas divertiu-se muitíssimo em tomar partido de uma opinião extrema. BUUUUM? Nãããão!

Selma Nunes

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