Carta ao bom senso

Solta-mente
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Abespinham-se como catos, pelo status, em desacordos ortográficos pelas travessas e matos, sendo que a verdade está no lado dos patos – aqueles que pagam com gestos lassos, os laços, os livros e os passos dos que vivem dos contratos de status, que vão a Milão encher guarda-fatos e escondem tesouros que não saíram, nem nos sairão baratos em ilhas com nomes latos, ou não, nas quais, de facto, nunca estes patos nadarão.

Escrevo-te a ti, bom senso, sobre esta manifestação que vi na televisão. Não sei se reparaste, mas, de olhos nos meus sapatos gastos, faz-me alguma impressão que o Estado que me dizia que muito gasto… esteja a pagar a privados para que os do status tenham outra educação. A minha vizinha do lado anda de carro emprestado porque o dela não tem suspensão. Para trabalhar, dorme à pressa e no fim não lhe sobra um tostão. Tem as contas em dia e zero contas nas Caimão.

Ao passo que isto está a saúde não chega a todos. É um sim, outro não. Também vi na televisão. Morre-se em Portugal por falta de tratamento atempado, mais sério que uma chique educação. Onde está a igualdade de oportunidades que uns têm outros não?

Querido bom senso, aguardamos a tua visita com ansiedade. Agora até faz bom tempo por cá, podes vir à vontade. Em boa verdade, os teus conselhos são míticos. Aproveitavas o verão no Algarve e metias bom senso na cabeça de alguns dos nossos políticos. É que os patos estão fartos de favoritismos líricos, contra sensos, oportunismos bíblicos, e seus derivados cíclicos. Todos sabemos de antemão, que nesta terra de patos rudes, não conta a educação, mas estar inscrito nas juventudes e passar, passo a passo, com distinção.

Selma Nunes

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