O Inverno

Solta-mente
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Uma coisa que me irrita profundamente no Inverno é o facto de ter as mãos geladas. Pode parecer uma coisita de nada, pode até pensar que estou a ser um pouco minimalista, mas ter as mãos geladas impedem-me de escrever neste teclado à velocidade da luz, por exemplo. Neste momento, os meus dedos estão arroxeados e já que pergunta, sim tenho a ponta do nariz gelada.

E o frio ainda não começou! Ainda não choveu a sério.

E já que está a pensar nisso, pois digo-lhe que não, nem apanhei nem tenho planos para apanhar essa gripe que já está mais famosa e conhecida que o Robbie Williams, ou assim. Simplesmente porque decidi que não e é não. Aqui, gripe que é gripe, não entra! Seja A, B, C, D, do tamanho do alfabeto, posso ter as mãos geladas, mas não me agarra assim sem luta. Estou com as mãos neste estado porque é incómoda esta parte da minha profissão, com a porta a abrir e a fechar a toda a hora, os miúdos são novos e esquecem-se dos objectos várias vezes lá para cima e depois esta que sou eu escreve e às meias músicas fica enregelada de estar aqui especada, de sorriso em riste como se de uma arma se tratasse e palavras joviais.

Bem eu estava a começar esta crónica a falar do Inverno e já passei para “As Memórias de uma Recepcionista pelo Ano Todo”. Não era essa a intenção e nem foi isso que me ensinaram onde estudei. Ordeno a mim mesma que me concentre a modos de escrever algo de jeito. Neste momento já consegui aquecer os dedos, o que já nem é mau.

Ora bem, contava-vos que não gosto do Inverno e doenças a ele associadas. O Inverno faz-me sentir miserável. É o tempo cinzento, o frio medonho, os ventos que cortam os lábios e os enchem de cieiro, os pés ensopados pelas poças de água nas ruas, a sensação incómoda de não poder apreciar o sol na cara numa esplanada sem bater o dente. As mantas, montes de roupa vestida, perde-se o dobro do tempo com casacos e malhas e ficamos a parecer chouriços e com aqueles blusões quentinhos mal nos conseguimos mexer.

Depois há aquela parte boa. Poder ficar em casa de folga, a ver um bom filme, enrolada numa manta, a beber chocolate quente ou outra coisa qualquer... mas essa parte boa é apenas nos dias de folga...

Estou decididamente em protesto contra o Inverno. Assim que passar o Natal, devia acabar.

Selma Nunes

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