"A Estalar de Fresco"

Solta-mente
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Vim para o meu “rooftop” particular com um “flute” de vinho verde bem fresco a discorrer-me pelo palato, na senda de escrever uma crónica ao sol poente, sem “taggar” em mais lado nenhum a não ser no caderno amarelo onde deposito os meus lendários gatafunhos. Isto que lês é uma versão melhorada (ou piorada) de alguns dos indecifráveis rabiscos que por lá faço.

Então, estava lá no alto da açoteia (ou terraço, ou “rooftop”) com o tal do copo (ou flute) à frente, sem direito a “selfies”, cão ao lado, cidade cubista em alarido motorizado (e apitado!) em busca do camarão mais festivaleiro da época (a hora em que todos percebem que têm de “aparcar” depressa e grátis), quando me apercebo que, apesar de todo o cenário que ali montei, não fazia ideia do que haveria de escrever.

Logo eu, que sou tão refilona por aqui! Não me apetece reclamar da enchente de pessoas “notionless” que nos visitam, nem da inadequação da EN125 ao fluxo de trânsito que recebe e que faz de cada dia um gigantesco ponto negro de Barlavento a Sotavento. Não me apetece falar na corrida quadrienal de beijinhos. Não me apetece dizer que não consigo ir a todos os eventos que queria ir e que estes deviam estar distribuídos pelo ano todo.

Sobre a presumida invasão: li o Zink a refilar das filas no atendimento para tudo, em franca camaradagem com os algarvios e residentes. Obrigada, Zink! A meu ver o problema não é da fila, mas daquilo que ecoa como um cartaz quadrienal de mau gosto: “Fazer Mais com os Mesmos”. A EN125 é simplesmente, “Mais do Mesmo”, agora com pinos, para aumentar a dificuldade, como um jogo.

E nisto, o sol escondeu-se do meu horizonte atrás daquele Hotel de Olhão, os cães começaram a ralhar uns com os outros. O que estava meus pés continuou indiferente e feliz da vida, observando o voo de um pássaro. Eu acabei o copo, consciente que no meio destes gatafunhos, perdi a oportunidade de “chill out” no meu “sunset” exclusivo. Pior… olho para o que escrevi e percebo que a minha campanha não teve beijinhos.

Como sou optimista, adianto-vos esta crónica que não fala de nada em particular e que o vinho estava mesmo, mesmo a estalar de fresco. Assim nasceu o título desta crónica. “Tag”: #aestalardefresco.

Selma NunesEstalar Fresco

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