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Esta crónica poderia ser, mas não foi.

Solta-mente
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A suave brisa que afaga a pele arenosa das dunas e que traz aquele cheiro a marcela e a sal às nossas agradecidas narinas tem de me dar uma ajudinha, porque a inspiração não anda à solta como de costume. Estarei a perder faculdades, provavelmente.

Talvez tenha perdido o palato algures no excesso de tempero que têm caracterizado as campanhas autárquicas. Pelo que vejo nas redes sociais, o salero é tanto que o meu “feed” acaba por ficar azedo. Quem é que tem tempo para ler tricas, quando há uma série sobre um trono de espadas que acaba por estar melhor argumentada e que tem dragões, muralhas de gelo, cavaleiros e anões, antes mesmo de ser inventada a máquina de lavar roupa?

Paz! Venha daí essa brisa de Setembro, esse por de sol alaranjado no céu, seguido pelo tom de violeta desmaiado, enquanto escuto um bote a chapinhar na água ainda morna da Ria Formosa. Quando a luz do poente findar, desaparecerá o dia que foi hoje e poderemos enumerar as estrelas, rindo para elas, sentindo a areia já fria debaixo dos pés. E sabe bem.

Se soltarmos a mente o suficiente talvez sejamos nós as estrelas e o céu, e lá longe, brilhando, o nosso reflexo e daí, às vezes, a impressão de isto andar tudo ao contrário.

Esta crónica poderia ser sobre as pessoas que estacionam em espinha entre dois automóveis e resolvem abrir as quatro portas ao máximo, com estrondo, daquela maneira rebelde, em vingança contra o mundo inteiro.

Podia, mas não foi, pois esta semana não encontrei a revolta verbal necessária. Estou em silêncio, constato finalmente… e não encontro motivo nenhum que mereça mudança de estado.

Quanto aos fuzileiros na Culatra, ainda não estou informada que chegue. O posto de Polícia Marítima faz falta no apoio às comunidades.

Selma NunesSolta a Mente

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