O Jogo da Batata Quente e Outras Histórias

Solta-mente
Typography

Após o encerramento do “Web Summit” ninguém quer ser o estafermo ou a estaferma que autorizou jantares póstumos com as mais digníssimas personalidades deste nosso país. Parece o jogo da “batata quente” que me deliciava em criança. Uma parte de mim fica indignada, a outra parte lê a onda de notícias políticas e quase nem acredita na velocidade a que a batata tem andado a correr.

Assim, enquanto grassavam as mais recentes notícias sobre os regabofes no Panteão Nacional, eu apontava inocentemente as sugestões de eventos (todos eles mais discretos que esses) algures a Sotavento do nosso Algarve. E pasmei, amigos e amigas! Domingo, Segunda, Terça, sempre com acontecimentos, mais ou menos culturais… e não apenas um, muitos… e já não é Verão!

Torna-se óbvia a descoberta da pólvora (ou polvorosa) social. É mais do que perceptível também a intervenção das redes sociais como um rastilho mais moderno e mais completo que os convencionais guias de eventos em papel. E as pessoas respondem com presença e vontade, avisam que vão… e convidam amigos para ir também!

A polvorosa social reside na vontade de conviver, sair de casa, na sede de cultura e também, não menos importante, da necessidade de ver e ser visto, exaltando o estilo de vida público com direito a “selfie” ou “groupie” como “souvenir”.

Os eventos e as festas estão na moda. Fazem as cidades mexer em qualquer altura do ano. Não vejo o Algarve fantasma de há alguns anos atrás quando acabava a “silly season”. E cidades que mexem angariam votos. Ganham-se eleições assim, pois os eventos prestigiam e oferecem algum prestígio a quem os visita também. É como a tal batata quente, mas que não queima as mãos de ninguém.

Relativamente ao Panteão Nacional, chamem-me conservadora, mas não me parece o “venue” indicado. Há tantos locais interessantes a precisar da atenção que me espantei que andassem a alugar esse. O jogo da batata quente, neste caso, parece-me irrelevante, cobarde e infantil. Se é mau, que não aconteça de novo. Falando em batata, sugiro o Festival da Batata Doce em Aljezur. É bom, nosso, mediterrânico, saudável e não ofende susceptibilidades.

Selma NunesBatata Doce Summit

BLOG COMMENTS POWERED BY DISQUS