Coisas que nunca se esquecem

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Os mercados municipais, sempre foram ponto de encontro e continuam a ser espaço tradicional para compras e venda. Lembro-me quando ia ao Algarve, nos anos 80, e mesmo nos 90, ver hortelãos contentes porque ir à Praça compensava para venderem os seus produtos. Parece-me que era quando a agricultura de regadio estava no seu auge, rendia.

Há pessoas que recordam diferente dos anos 60, quando faltava a água nas noras, lá começaram com os furos, que vão mais para o fundo para ter o precioso líquido com mais abundância para as regas. Nessa altura trabalhar nas hortas era penoso, e pouco ganhavam. Atualmente, como sabemos os lucros também são um problema para muitos agricultores no Algarve.

Anos 50, e 60, favais, griséus e ervilhas, com os bagos amadurecidos em fevereiro e março, eram prato frequente nas mesas, e muitas searas cobriam campos em zonas do Algarve. Dos milheirais de regadio, em setembro outubro, faziam ajudadas para descamisar as maçarocas do milho. Davam comes e bebes, e alguns hortelãos contratavam acordeonistas, outros, além do rádio, algum tocador de gaita dos arredores com cantorias à mistura.

Recordações de gentes algarvias no Algarve ou em qualquer parte do mundo lembram fazedouras de empreita de palma fazendo alcofas, esteiras, capachos, e seirões, juntando vizinhança até altas horas da noite.

Estar a par de coisas que faziam parte da vida no litoral, barrocal, e serras algarvias, parece-me bem visitar museus que mostram máquinas, engenhos, maneiras de trabalhar, gostos, e hábitos de épocas. Também ir aos mercados municipais tem a sua importância, visita obrigatória, há sempre produtos locais e da região, o de Faro, de muito interesse, aí no piso de cima serviços públicos, e lá tira-se o cartão de cidadão.

Seja como for, para quem está fora, afetos à terra das origens avivam saudades, para muitos mais do que outros, sempre há coisas que nunca se esquecem, principalmente o clima do Algarve, que nota-se rapidamente a diferença quando lá vamos, a chegada logo é abençoada pelo ar que se respira.

Ireneu Vidal da Fonseca 
Massachusetts
U.S.A.

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