FFMS actualiza dados do Portugal Desigual

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A Fundação Francisco Manuel dos Santos acaba de actualizar o site Portugal Desigual. Com base na recente publicação dos principais indicadores de desigualdade, pobreza e exclusão social pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o site permite uma leitura actualizada sobre a evolução das condições de vida da população e a identificação dos principais factores de vulnerabilidade social no nosso país.

Graças ao seu formato interactivo, com gráficos acompanhados de textos explicativos da autoria do professor do ISEG, Carlos Farinha Rodrigues, a consulta ao Portugal Desigual permite analisar a realidade portuguesa e compará-la com a situação na Europa.

O QUE MOSTRAM OS NOVOS DADOS?

  • A incidência da pobreza atingiu, em 2017, 17,3% da população total. Assim, mais de cem mil portugueses abandonaram a situação de pobreza no último ano, apesar da linha de pobreza ter subido cerca de 3%.
  • A proporção de crianças e jovens em situação de pobreza diminuiu de forma ainda mais significativa, reduzindo-se a sua taxa de incidência de pobreza de 20,7% para 18,9%, uma descida de 1,8 pontos percentuais (p.p.).
  • A taxa de pobreza das famílias monoparentais e das famílias alargadas com 3 e mais crianças, dois dos grupos sociais mais vulneráveis à situação de pobreza, diminuiu em 4,9 p.p. e 9.8 p.p., respectivamente. Esta evolução registada em 2017 não evita, no entanto, que estes dois grupos continuem a ter das mais altas taxas de incidência da pobreza (28,2% e 31,6%, em 2017).
  • A intensidade da pobreza (que avalia quão pobres são os pobres) desceu de 27,0% para 24,5%.
  • A taxa de privação material severa baixou de 6,9% para 6,0%.
  • O indicador síntese do Eurostat, que aglutina a proporção de famílias em situação de pobreza e de exclusão social, passou de 23,3% para 21,6%.
  • Todos os índices de desigualdade registam uma diminuição: o coeficiente de Gini desceu de 33,5% para 32,6% e o indicador que mede a distância dos rendimentos entre os 20% mais ‘ricos’ e os 20% mais ‘pobres’ diminuiu de 5,7 para 5,3.

Em contraciclo com a evolução dos principais indicadores, observa-se o comportamento dos seguintes indicadores:

  • A taxa de pobreza da população idosa registou um agravamento de 0,7 p.p., fixando-se em 2017 nos 17,7%.  
  • Igualmente no que concerne à situação de pobreza da população desempregada registou-se um ligeiro agravamento. Apesar da população em situação de desemprego ter diminuído, tal como o número de desempregados em situação de pobreza, a taxa de incidência dos desempregados aumentou 0,8 p.p., fixando-se em 45,7%, um dos valores mais elevados e mais preocupantes do conjunto da população.
  • Igualmente no que concerne à situação de pobreza da população desempregada registou-se um ligeiro agravamento. A sua taxa de pobreza foi de 45,7% em 2017, tendose mesmo agravado face à verificada em 2016 (44,8%).
  • A incidência da pobreza entre a população empregada em 2017 reduziu-se ligeiramente face ao ocorrido em 2016, tendo-se fixado nos 9,7%. A permanência de uma proporção tão elevada de ‘working poors’ não pode deixar de reflectir as fragilidades do nosso mercado de trabalho.

Carlos Farinha Rodrigues, faz o balanço global destes números: “É indiscutível que traduzem uma melhoria relevante da condição social do país mas não nos podem fazer esquecer que Portugal continua a ser um dos países com maior pobreza e com maiores níveis de desigualdade na Europa.” Acrescentando que “permanecem em situação de pobreza mais de 1,7 milhões de cidadãos, e que uma parte significativa destes são crianças e jovens. Se alguma lição podemos tirar dos números agora conhecidos é a de que as políticas públicas, e a sociedade no seu conjunto, ainda têm um longo caminho a percorrer para construirmos uma sociedade mais coesa, socialmente mais justa, com menos pobreza e menos desigualdade.”

Fonte: JLMAPortugalDesigual

 

 

 

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