Pandemia Provoca Queda Acentuada na Atividade Portuária do Continente

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Pandemia provoca queda acentuada na atividade portuária do Continente. Portos movimentam 34,2 milhões de toneladas no período de janeiro a maio.

  • Situação de calamidade agrava de forma significativa o movimento portuário em maio de 2020. Portos do Continente recuam -9,3% no período janeiro a maio de 2020 face a igual período de 2019. Isoladamente, o mês de maio de 2020 foi inferior em -29% ao mesmo mês de 2019;
  • A generalidade dos portos regista globalmente decréscimos na tonelagem de carga, sendo que Lisboa e Sines são responsáveis por cerca de 80% das quebras;
  • Esta quebra é também explicada pela diminuição da exportação de Produtos Petrolíferos, registando no período de abril e maio, em Leixões e Sines, uma diminuição de -938,9 mil toneladas;
  • Sines mantém a liderança do movimento global portuário, embora perdendo a maioria absoluta, com 49,3% do total de carga.

Após ter saído do estado de emergência a 2 de maio, a situação de calamidade em Portugal veio agravar de forma significativa a atividade portuária no mês de maio. Entre janeiro e maio de 2020, os portos do continente movimentaram um total de 34,2 milhões de toneladas de carga, uma diminuição de -9,3% face ao volume global de carga registado nos primeiros cinco meses de 2019. Se compararmos a variação apenas do mês de maio, verifica-se um decréscimo de -29% face a maio de 2019.

Em termos de tonelagem de carga, registaram-se -3,49 milhões de toneladas de carga, com o forte contributo de Sines e Lisboa, que registaram quebram de -9,7% e -23,2%, respetivamente, a que corresponde um total de -2,9 milhões de toneladas. Também os portos de Leixões, Setúbal e Aveiro registaram quebras de -5%, -6,4% e -4,4%, respetivamente. Só os portos de menor dimensão, a saber, Figueira da Foz, Faro e Viana do Castelo registaram comportamentos positivos de, respetivamente, +12,1%, +27,1% e +1,6%. 

Os portos e as cargas foram claramente penalizados pela crise pandémica que se atravessa e que originou a suspensão e/ou abrandamento da atividade da indústria nacional.

A quebra de movimentação global verificou-se sobretudo nas operações do Petróleo Bruto e dos Produtos Petrolíferos em Leixões e Sines, por efeito da pandemia. Neste período, verificou-se uma acentuada diminuição da compra de combustíveis nos mercados nacional e internacional, tendo conduzido a um quase esgotamento da capacidade de armazenagem das refinarias de Matosinhos e de Sines, o que levou à suspensão temporária da sua atividade. Os Produtos Petrolíferos, que têm elevado relevo nas exportações nacionais, registaram em abril e maio, nos portos de Leixões e Sines, uma diminuição de -938,9 mt, correspondente a -28,1% do volume movimentado no período homólogo de 2019. 

A par das cargas referidas, também a carga Ro-Ro foi particularmente impactada pela pandemia em curso com a suspensão da produção da indústria automóvel, desde meados de março até finais de abril, sobretudo na Autoeuropa e na PSA Mangualde. Esta situação determinou uma significativa retração na exportação de unidades automóveis e consequentemente do respetivo movimento portuário em Setúbal e em Leixões, embora neste último com menos impacto. 

Sem relação direta com o efeito provocado pelo surto pandémico de covid-19, importa assinalar que o comportamento do mercado do Carvão em Sines e o da Carga Contentorizada em Lisboa foram os que mais contribuíram para o desempenho negativo global do sistema portuário do Continente. O Carvão em Sines registou quebras de -1,54 milhões de toneladas e o da Carga Contentorizada em Lisboa foi responsável por -783,3 mil toneladas. Os dois, em conjunto, representam 53,7% do total de -4,3 milhões de toneladas de carga perdida nos diversos mercados com comportamento negativo.

Sines, após registar uma diminuição global de -9,7% no período janeiro-maio de 2020, passa a deter uma quota de 49,3% do total (-0,3 pontos percentuais face ao período homólogo de 2019), seguindo-se Leixões com 23%, Lisboa com 10,5%, Setúbal com 7,9%, Aveiro com 6,2%, Figueira da Foz com 2,4%, Viana do Castelo com 0,5% e Faro com 0,1%. 

Em termos globais, Sines regista variações positivas apenas no mercado do Petróleo Bruto (+10,2%) e no residual de carga Ro-Ro (que representa 0,1% do volume movimentado e aumenta +3,7%). Leixões regista variações positivas no mercado da Carga Contentorizada (+4,7%), que atinge a melhor marca de sempre nos períodos homólogos, bem como no da Carga Fracionada (+0,9%) e dos Minérios (+16,3%), com as maiores penalizações a surgirem nos Produtos Petrolíferos (-23,1%) e nos Outros Granéis Sólidos (-16,5%). Lisboa apenas regista uma variação positiva, nos Produtos Agrícolas (+5,7%), sendo mais fortemente penalizado na Carga Contentorizada (-41,3%) e nos Outros Granéis Sólidos (-30,5%), com os restantes mercados a perderem no seu conjunto -149,3 mt.

O Porto de Setúbal regista variações positivas nos mercados de Carga Contentorizada (+5,9%), Minérios (+7,8%), Produtos Agrícolas (+11,3 mt, sem movimento em 2019) e Produtos Petrolíferos (+8,5%). Aveiro destaca-se pela positiva nos mercados de Outros Granéis Sólidos, da Carga Fracionada e dos Outros Granéis Líquidos com acréscimos respetivos de +5,2%, +3,4% e +0,7%, sendo que o valor atingido neste último é o mais elevado de sempre nos períodos homólogos. Pela negativa realça-se o seu comportamento nos mercados dos Produtos Petrolíferos (-40,7% ou -110,9 mt) e dos Produtos Agrícolas (-10,7% ou -40,7 mt).

Entre janeiro e maio deste ano, o segmento dos Contentores registou um volume total de 1,12 milhões de TEU, uma quebra significativa de -6,6% face a igual período de 2019. No entanto, existem algumas diferenças na expressão da variação a nível de cada porto. Leixões e Setúbal registam aumentos no volume de TEU movimentado de +3,4% e de +7,9%, respetivamente, sendo de enfatizar o facto de Leixões atingir 301 mil TEU, o volume mais elevado de sempre nos períodos homólogos, não obstante a variação homóloga negativa no próprio mês de maio.

Figueira da Foz, Lisboa e Sines apresentam variações negativas, de -24,7%, -40,9% e de -2,1%, respetivamente, sendo que os dois primeiros registam variações mensais negativas em quatro dos cinco meses em análise, mais acentuadas em maio, enquanto Sines regista variações positivas desde abril.

Tendo em conta o peso que representa no mercado de contentores do porto de Sines, importa sublinhar que o tráfego de transhipment registou uma diminuição de -6,8%, sendo que o tráfego com o hinterland aumentou +9,1% para um total de 207 354 TEU, constituindo o valor mais elevado de sempre neste segmento nos períodos homólogos. Sublinha-se o facto de se registarem também operações de transhipment nos portos de Leixões e de Lisboa, cujos volumes representam respetivamente 7,8% e cerca de 1,2% do total de TEU movimentados em cada porto.

Ainda no mercado de Contentores, refere-se que o porto de Sines mantém a liderança com uma quota maioritária absoluta de 56,3%, seguindo-se Leixões, com 27%, Lisboa, com 10%, Setúbal, com 6,1%, e Figueira da Foz, com 0,6%. 

Relativamente ao número de escalas de navios, nas diversas tipologias, o conjunto dos portos registou nos primeiros cinco meses deste ano um total de 3970 escalas, um recuo de -9,7% (-498 escalas no total) face ao período homólogo de 2019, correspondente a uma arqueação bruta de cerca 71,9 milhões, menos -14,6% face a igual período do ano anterior.

Este comportamento é fortemente condicionado por Lisboa que viu reduzir o número de escalas em -29% (-304 escalas), justificado pela operação de menos navios a movimentar carga e ainda por efeito das medidas decretadas para combater o surto de Covid-19 que levaram ao cancelamento de mais de 121 escalas de navios de cruzeiro entre meados de março e maio. Portimão, por este mesmo motivo, também registou uma diminuição de -17 escalas, tendo os portos de Douro e Leixões registado -49 escalas.

A inverter o comportamento negativo no número de escalas face aos primeiros cinco meses de 2019, surgem apenas Figueira da Foz e Faro que registaram acréscimos de, respetivamente, +20 e +6 escalas. 

A quota mais elevada do número de escalas no período total de cinco meses é detida pelos portos de Douro e Leixões, com 26% do total, seguidos de Sines (com 21,1%), Lisboa (18,8%), Setúbal (16,2%), Aveiro (10,3%) e Figueira da Foz (5%).

A variação global negativa do volume de carga movimentada no período janeiro-maio de 2020 face ao mesmo período de 2019, resulta da conjugação de comportamentos negativos registados nas operações de embarque e nas operações de desembarque, incluindo transhipment, que observam quebras respetivas de -8% e de -10,1%.

O comportamento do fluxo de embarque, que inclui a carga de exportação, é caracterizado essencialmente pelo desempenho negativo dos mercados de Carga Contentorizada em Lisboa, Produtos Petrolíferos em Leixões e dos Outros Granéis Sólidos de Lisboa e Setúbal, cujos decréscimos no seu conjunto ascendem a total de -1,04 milhões de toneladas, representando 66% do total de carga perdida. De forma positiva a influência mais significativa é exercida pelos mercados de Carga Contentorizada de Leixões, Carga Fracionada da Figueira da Foz e do Petróleo Bruto de Sines, que totalizam acréscimos de +224,3 mt e representam 64,1% do total dos acréscimos observados.

No segmento das operações de desembarque, merece particular referência o comportamento negativo do Carvão que, como já referido, deixou praticamente de ser importado, sendo responsável por 50,9% do total das perdas. Também com comportamento negativo surgem os Produtos Petrolíferos em Sines e a Carga Contentorizada em Lisboa, que representam, respetivamente, 14% e 7,8% do total das perdas. 

A influência positiva mais intensa verifica-se nos mercados de Petróleo Bruto em Sines, representando 35,3% dos acréscimos totais. 

Os portos que apresentam um perfil de porto “exportador”, registando um volume de carga embarcada superior ao da carga desembarcada, entre janeiro e maio de 2020, são Viana do Castelo, Figueira da Foz, Setúbal e Faro, que apresentam um quociente entre carga embarcada e total movimentado com valores respetivos de 70,9%, 63,1%, 50,9% e 100%.

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