Mentalidade das empresas em relação ao digital scouting mudou durante a pandemia

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A maioria dos empregadores que dispensaram trabalhadores temporários durante a primeira fase da pandemia voltou a contratar. No outsourcing, dos 15% de organizações que deixaram de ter necessidade de prestação de serviço contratado, 10% voltaram a contratar num prazo de seis meses. A informação é da Adecco Portugal, que deu resposta ao longo do último ano à maioria dos processos de recrutamento por via digital. Uma opção que ainda apresenta muitos desafios, mas que é agora aceite sem resistência pelas empresas e que veio para ficar.

Num inquérito divulgado recentemente pelo Grupo Adecco (América do Norte), 70% das organizações que despediram empregados durante a pandemia da COVID-19 irão reatar as funções que foram eliminadas. Quase nove em cada 10 inquiridos dizem que planeiam voltar a contratar em menos de um ano, enquanto 62% planeia fazê-lo em menos de seis meses. 

Em Portugal, a Adecco informa que, no mesmo período – de março a dezembro de 2020 –, a maioria dos empregadores que cancelaram os seus recrutamentos no primeiro confinamento vieram posteriormente a precisar de preencher as posições com ajuda especializada. “Cerca de 15% dos clientes deixaram de necessitar da prestação do serviço contratado, muito similar aos números do setor da prestação de serviços no geral. Sendo que, destes, 10% voltaram a contratar nos seis meses seguintes, sendo que cerca de 5% ainda não tem previsão de voltar a contratar”, informa Sérgio Duarte, Board Member & Outsourcing Director da Adecco Portugal. Do percentual de empresas que não retomou as posições dispensadas no início da pandemia, encontram-se as dos setores do retalho, alojamento e restauração que, face às restrições sanitárias, foram as mais impactadas e não têm agenda para voltar a contratar face à incerteza do contexto económico.

E como se processou o recrutamento na Adecco Portugal desde o início da pandemia? Durante o período que procedeu ao primeiro confinamento, a atividade de contratação decorreu maioritariamente em regime digital, uma estratégia que não era particularmente bem acolhida pelas empresas antes da pandemia. Por necessidade, entretanto, a mentalidade das organizações mudou: as empresas perceberam, com a utilização da tecnologia e a realidade da mão-de-obra híbrida no futuro, que podem contratar talentos numa geografia mais abrangente e chegar ao ‘profissional certo para a posição certa’ de forma mais inclusiva.

Mas se o desafio é grande para os candidatos, não é menor para os recrutadores. Sérgio Duarte considera que as competências de análise das equipas de recrutamento são cada vez mais fundamentais durante uma entrevista remota, de forma a validar certos requisitos físicos, não possíveis de detetar neste formato de contratação digital, pois o lado transacional do digital retira alguns aspetos tradicionais do processo de contratação a que todos estávamos habituados e que é uma pedra-de-toque do trabalho de recrutamento.  Mas vê muitos pontos positivos nesta opção: “A grande vantagem é a eliminação de tempos de espera, tanto para o candidato como para o recrutador, a maior agilidade de agendamento, pois não precisamos de contar com deslocações, e a facilidade de adicionar interlocutores à entrevista, nomeadamente o cliente, sendo ainda de destacar a redução significativa da percentagem de não comparências em entrevistas”.

Embora o recrutamento digital tenha proporcionado às empresas a oportunidade de obter níveis de talento fora do seu mercado local, também constituiu um desafio para as empresas quando procuram obter níveis de talento que não têm a capacidade de trabalhar à distância. O Outsourcing Director da Adecco Portugal confirma: “Existem setores onde esta realidade já vinha a ser mais predominante e outras onde o desafio é maior, como a área de prestação de serviços logísticos, pois os candidatos muitas vezes não dispõem de meios nem competências de utilização dos canais digitais, nem o recrutador consegue validar facilmente o perfil físico para tarefas manuais exigidas”.

Neste contexto, Joana Esteves, Gestora de Recursos Humanos e Serviço da Adecco Portugal, dá conta da “flexibilidade dos recrutadores e disponibilidade para explicar o funcionamento das ferramentas digitais para que todos possam ter as mesmas possibilidades”. Assim, a contratação online, assegura a responsável, não tem sido um impedimento para posições que não exigem conhecimento no manuseamento de ferramentas online.

Para os recrutadores, os prós do digital scouting superam os contras à medida que a pandemia continua. As empresas, fundamentalmente na área dos serviços, têm-se consciencializado da ideia de ter múltiplas opções e a capacidade de utilizar recursos de todo o mundo. Além disso, as ferramentas que têm sido utilizadas num ambiente remoto, tais como a videoconferência, continuarão a ser utilizadas mesmo na pós-pandemia. Joana Esteves não tem dúvidas de que “ainda existem algumas barreiras para ultrapassar, mas cada vez mais as empresas se estão a preparar para a contratação remota. 2020 tem servido como o ano zero para esta aprendizagem e notamos que as empresas começam a encarar a contratação digital como o futuro, não só na parte das entrevistas, como também no onboarding de novos colaboradores e nos processos de formação inicial”.

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