Dia Mundial da Terceira Idade

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Dia 28 de outubro é o dia mundial da terceira idade e uma vez que cerca de 1 em cada 3 portugueses, ainda confunde os sintomas da Insuficiência Cardíaca com os sintomas normais do envelhecimento e só 3% sabe identificar os sintomas da doença.

A insuficiência cardíaca (IC) é já considerada uma ameaça à saúde pública. Apresenta uma taxa de mortalidade bastante elevada e superior a diversos tipos de cancro, tais como o cancro da mama, do cólon, da próstata e a leucemia. É a primeira causa de internamento hospitalar e estima-se que a taxa de mortalidade e as hospitalizações associadas a esta síndrome aumentem significativamente nos próximos anos. Cerca de 80% das pessoas com Insuficiência Cardíaca são idosas. 

No Dia Mundial da Terceira Idade, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia lança a mensagem: A IC é frequente, grave, comum, cansa e mata, mas pode ser prevenida e tratada! 

No passado dia 28 de setembro foi lançado, no Parlamento Europeu, e no âmbito de uma sessão dedicada à partilha de boas práticas na área da insuficiência cardíaca, o manual “The Handbook of multidisciplinar and integrated heart failure care”, com o objetivo de promover a prevenção e melhorar a resposta a esta síndrome, que só em Portugal atinge mais de meio milhão de pessoas.

Este manual foi desenvolvido pela plataforma Heart Failure Policy Network, uma plataforma que nasce da necessidade de intensificar a cooperação entre políticos de toda a Europa, profissionais de saúde, doentes e stakeholders, por forma a fomentar a criação de políticas que contribuam para uma melhor qualidade de vida das pessoas com Insuficiência Cardíaca.  ​

De acordo com um dos membros da direção desta plataforma, Professor Jose Ramon Gonzalez-Juanatey ​"deverão ser promovidas iniciativas em todos os países da União Europeia, incluindo iniciativas a nível político, por forma destacar a importância e magnitude associada à Insuficiência Cardíaca. Dada a extraordinária dimensão e possibilidade de aumento da prevalência desta síndrome, sem uma ação concertada ao nível da prevenção, estaremos a ser responsáveis pelo sofrimento que esta doença causa aos doentes e suas famílias e pelo brutal aumento da sua carga sócio-económica. A nível político, há uma certa sensibilização para o Enfarto Agudo do Miocárdio e do Acidente Vascular Cerebral, mas o seu conhecimento, e em especial a sensibilização para a IC é, ainda, muito limitada.

A IC tem um grande impacto na qualidade de vida, é a primeira causa de internamento hospitalar, mas pode ser tratada e prevenida se soubermos quais os seus sintomas e a diagnosticarmos antecipadamente. A falta de conhecimento é grave e pode resultar na desvalorização de sintomas, de fatores de risco e, por consequente, num diagnóstico tardio o que pode levar a maior mortalidade, morbilidade, hospitalizações e custos em saúde. É, por isso, urgente aumentar o reconhecimento dos sintomas da insuficiência cardíaca, para que se possa ajudar todos aqueles que vivem com esta condição. No Dia Internacional da Terceira Idade, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) relembra os mais de 500 000 Portugueses que sofrem de insuficiência cardíaca (IC) e cuja tendência não é decrescente. 

De acordo com os dados do relatório do Programa Nacional para Doenças Cérebro-Cardiovasculares as mortes associadas às doenças do aparelho circulatório têm diminuído: em 2010, representavam 31,8% das causas de morte, em 2015 eram 29,7%. No caso do Acidente Vascular Cerebral, registaram-se menos mortes de 2013 (7872) para 2015 (6432). Já no que respeita aos internamentos hospitalares devido a doenças do aparelho circulatório, verificou-se uma quebra de 2011 para 2016, mas nos casos de insuficiência cardíaca, registou-se um aumento: de 15 583 internamentos em 2011 para 18 752 em 2016.

A insuficiência cardíaca tem uma taxa de mortalidade superior a diversos tipos de cancro, tais como o cancro da mama, do cólon, da próstata e a leucemia.  Associado à elevada taxa de prevalência desta doença está a subvalorização e desconhecimento do comportamento desta patologia, gestão, seus sinais e sintomas, prognóstico, tratamento e prevenção. A melhoria das condições de vida, a maior qualidade dos cuidados de saúde e o avanço tecnológico, que têm garantido uma melhor prevenção e tratamento de diversas doenças, têm levado a um aumento da esperança média de vida da população Portuguesa. Portugal é hoje um país com uma população envelhecida e, como tal, com elevado risco de desenvolver insuficiência cardíaca (IC).

O que é a IC?

A IC é causada por alterações na estrutura e função do músculo cardíaco, que ao ficar fragilizado compromete o aporte de nutrientes e oxigénio ao organismo que numa fase inicial, a sua progressão pode ser silenciosa, mas tende a manifestar-se por surtos de agudização, isto é, de descompensação da doença, levando a internamentos frequentes e consecutivos. 

Os principais sintomas da IC são: falta de ar; inchaço dos pés e pernas; falta de energia e cansaço; dificuldade em dormir à noite devido à dificuldade em respirar; abdómen inchado; perda de apetite, que pode ser acompanhada de náuseas; ganho de peso (devido ao inchaço no corpo); tosse; aumento da frequência e necessidade de urinar à noite; confusão mental e tontura.

No futuro, é expectável que 1 em 5 pessoas venha a desenvolver esta doença ao longo da vida. Cerca de metade dos doentes morre, em média, 5 anos após o diagnóstico. Além disso, o número de internamentos está diretamente relacionado com o aumento da mortalidade, pelo que a redução e prevenção das hospitalizações deve ser uma prioridade. A insuficiência cardíaca é muito debilitante, não só do ponto de vista físico, mas também emocional, o que leva frequentemente a estados depressivos e a outras patologias do foro psicológico, afetando doentes e cuidadores. 

Entre as medidas propostas pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia destacam-se:

- Tornar a insuficiência cardíaca uma prioridade na saúde;

- Formar os profissionais de saúde;

- Criar um programa multidisciplinar de manejo integrado da insuficiência cardíaca a fim de assegurar o correto acompanhamento dos doentes;

- Melhorar o diagnóstico precoce através do doseamento de marcadores bioquímicos para exclusão da doença;

- Implementar uma metodologia de recolha de dados, com intuito de atualizar a informação epidemiológica de progressão da síndrome e de avaliar os impactos para a qualidade de vida dos doentes e para a economia do país.

“É urgente aumentar o reconhecimento dos sintomas da insuficiência cardíaca, para que possamos ajudar todos aqueles que vivem com esta condição!” É desígnio da SPC evitar que o número de doentes com insuficiência cardíaca continue a aumentar. Por este motivo, a SPC alerta Profissionais de Saúde, Tutela, Media e Sociedade Civil, para a necessidade de discutir a doença que constitui um grave problema de saúde pública em Portugal, constituindo a principal causa de internamento em doentes idosos, com importantes repercussões socioeconómicas.

Fonte: S ConsultingSocPortCardiologis

 

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