Células Derivadas do Sangue do Cordão Umbilical poderão vir a ser utilizadas no Tratamento do Cancro

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Um grupo de investigadores do MD Anderson Cancer Center, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, desenvolveu um estudo sobre a utilização de células do sangue do cordão umbilical modificadas para tratar alguns tipos de linfomas ou leucemias. Os resultados deste estudo foram recentemente publicados na revista Leukemia.

Decorre atualmente um ensaio clínico em 36 doentes oncológicos.

Os investigadores utilizaram as células “Natural Killer” (NK), células do sistema imunitário que têm uma apetência inata para reconhecer e eliminar vários tipos de células infetadas ou disfuncionais presentes no organismo.

Os investigadores conseguiram modificar células NK do sangue do cordão umbilical para que estas consigam mais eficazmente localizar e destruir células cancerígenas. A modificação permite também que as células permaneçam durante mais tempo no organismo. As células NK modificadas podem persistir durante meses e produzir um efeito antitumoral mais prolongado. As células NK modificadas demonstraram grande capacidade de multiplicação e, em modelo animal, migraram para locais afetados pela doença, produzindo efeitos notáveis na eliminação de células tumorais. Decorre atualmente, no MD Anderson Cancer Center, um ensaio clínico em 36 doentes oncológicos para testar este método de tratamento, após o sucesso dos estudos em modelo animal.

“A metodologia agora desenvolvida permite potenciar a capacidade das células NK para localizar e eliminar células cancerígenas causadoras de certas leucemias e linfomas. Embora seja possível recolher células NK do doente, estas apresentam uma capacidade de tratamento limitada. Como não são necessários testes de compatibilidade para administrar células NK, estas podem ser isoladas de forma relativamente fácil a partir de sangue do cordão umbilical. As unidades criopreservadas podem ser utilizadas prontamente para obter células NK para tratamento, o que representa uma vantagem muito significativa”, explica Bruna Moreira, Especialista em Células Estaminais e Investigadora no Centro de I&D da Crioestaminal.

A estratégia de modificação de células NK para localizar e eliminar células cancerígenas poderá ser utilizada para o tratamento de uma grande variedade de tumores em doentes oncológicos.

A técnica de modificação de células NK surgiu, essencialmente, para contornar as limitações da estratégia que tem sido utilizada ao longo dos últimos anos, com a recolha das células T (um tipo de células do sistema imunitário). Este método baseia-se na colheita das células do doente, seguida da sua modificação e reinfusão no próprio após a quimioterapia, ajudando a eliminar células cancerígenas remanescentes. Contudo, esta metodologia apresenta obstáculos, já que o doente tem de esperar algumas semanas até que as células modificadas possam ser utilizadas para o tratamento, uma situação pouco favorável em doenças de evolução rápida.

Sobre a Crioestaminal

A Crioestaminal, fundada em 2003, foi o primeiro banco de criopreservação em Portugal, sendo o maior da Península Ibérica e o quarto a nível europeu. Sediada no Biocant – o maior parque de Biotecnologia português, emprega mais de 80 colaboradores e tem presença em quatro países da Europa (Portugal, Espanha, Itália e Suíça). É o único banco ibérico acreditado pela AABB (American Association of Blood Banks), sendo um dos mais influentes e inovadores bancos de células estaminais do cordão umbilical do mundo. Tem mais de 100 mil amostras recolhidas e criopreservadas desde a sua fundação, sendo o player em Portugal com o maior número de amostras resgatadas e transplantes realizados, com 15 utilizações em dez crianças. Promove um trabalho de referência na terapêutica com células estaminais, com quatro patentes internacionais registadas e vários projetos de investigação em curso. Investe, anualmente, cerca de 10% do seu volume de negócios em Investigação & Desenvolvimento.CrioestaminalFonte: Atrevia

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