Sangue do Cordão Umbilical melhora a função cerebral em crianças com Paralisia Cerebral

Consultório Médico
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Foram recentemente publicados os resultados de um ensaio clínico de fase 2, realizado nos Estados Unidos da América, que incluiu 63 crianças, com idades compreendidas entre 1 e 6 anos, com tipos e gravidade variados de paralisia cerebral.

Neste ensaio, foram testadas doses entre 10 a 50 milhões de células do sangue do cordão umbilical/Kg de peso corporal, de acordo com a amostra de sangue do cordão umbilical que cada criança havia criopreservado. A avaliação da função motora e a medição da conectividade cerebral foram realizadas no início do estudo, e um e dois anos após o tratamento. As crianças que receberam uma dose de pelo menos 20 milhões de células/Kg de peso corporal registaram melhorias significativas na função motora, um ano após a infusão de sangue do cordão umbilical.

Estas crianças apresentaram melhorias superiores às tipicamente observadas em crianças de idade e condição semelhantes, e excederam os resultados obtidos por crianças que receberam uma dose celular menor ou placebo. As melhorias na função motora correlacionaram-se com uma maior dose de células do sangue do cordão umbilical infundida. Além disso, em comparação com as que receberam doses mais baixas, as crianças que receberam uma dose ≥ a 20 milhões de células apresentaram um maior aumento na conectividade total do cérebro, um ano após o tratamento com sangue do cordão umbilical.

Este estudo permitiu, assim, confirmar que o aumento da conectividade cerebral total está correlacionado com o aumento da melhoria nas capacidades motoras. "De acordo com os autores do estudo, os resultados deste ensaio sugerem que a administração de doses ≥ a 20 milhões de células do sangue do cordão umbilical autólogo/Kg de peso corporal melhora a conectividade cerebral total e a função motora em crianças pequenas com paralisia cerebral. Estas descobertas permitem explicar resultados anteriores e têm implicações importantes no tratamento de crianças com paralisia cerebral e outras lesões cerebrais", refere Carla Cardoso, Diretora do Departamento de I&D da Crioestaminal. A investigadora refere ainda que "tendo em conta a condição para a qual as respostas terapêuticas atuais não são eficazes, nos EUA, a Food and Drugs Administration (FDA) aprovou o recurso a esta terapia fora do contexto de ensaio clínico."

A paralisia cerebral é a perturbação motora mais prevalente da infância, afetando dois a três em cada 1.000 recém-nascidos em todo o mundo. A paralisia cerebral resulta geralmente de uma lesão cerebral in utero ou perinatal, como uma lesão hipóxica, hemorragia ou acidente vascular cerebral. As crianças afetadas podem apresentar diferentes graus de deficiências funcionais, que vão de limitações ligeiras das capacidades motoras avançadas até automobilidade severamente limitada, resultando em incapacidade de autonomia e independência. Em modelos animais de lesão cerebral isquémica e paralisia cerebral a administração de células do sangue do cordão umbilical foi capaz de melhorar a função motora. Os resultados destes estudos sugeriam que as células do sangue do cordão umbilical sinalizariam células endógenas a promover o processo de reparação. Por esta razão, alguns investigadores colocaram a hipótese de a infusão intravenosa de sangue de cordão autólogo poder melhorar a função motora em crianças pequenas com paralisia cerebral.CrioestaminalFonte: Atrevia

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