Descobrir o espaço público à luz da linguagem acrobática: "Les Voyages"

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Descobrir o espaço público à luz da linguagem acrobática: "Les Voyages". Para ver nos dias 4 maio (sáb), pelas 18h, no Portinho da Arrifana - Aljezur e 5 maio (dom), pelas 16h30, em Monchique, com partida do Largo dos Chorões.

Habitualmente é no interior de uma grande tenda que a magia do circo contemporâneo acontece. Neste caso, a poesia transborda para o espaço público. As ruas, as paisagens, os edifícios, os transeuntes, a cultura e os hábitos de vida locais, são palco e inspiração para uma proposta acrobática e coreográfica site specific, à medida de cada território no qual a trupe XY se infiltra.

Vinte acrobatas à descoberta de como a sua linguagem artística pode reflectir e re-interpretar o espaço público - um edifício, um bairro, uma paisagem - para oferecer a quem passa, um instante significativo, uma emoção particular, uma "ligeira distorção do real".

Durante uma semana, no passado mês de Março 2019, quatro elementos da companhia encontraram-se com as realidades de Aljezur e Monchique, recolheram matéria-prima e descobriram um "paraíso frágil". Composto por montanhas e oceano, chamas e ondas, medronhos e batatas-doces. Descobriram aqui um coro a muitas vozes e mil sotaques que traduzem um território em metamorfose, rico em diversidade, onde se transportam muitas camadas de memória e transpiram estórias. Descobriram lugares cheios de beleza e aspirações, num "equilíbrio imperfeito e magnífico".

Este colectivo de acrobatas tem apresentado o seu estimulante trabalho um pouco por todo o mundo, aprofundando, nesta criação, a relação entre práticas artísticas e performance no espaço público.

Les Voyages é, assim, uma odisseia circense fora do comum, fortemente sensorial e visual, que assenta na idea propulsora de sermos portadores de memória: "como nos transportamos, como somos transportados?". Quando alguém é transportado (ao colo), as suas sensações remontam, muito provavelmente, à infância. Há quanto tempo não somos transportados?

Deste modo, desejam explorar a memória sensível, dos corpos e dos lugares. À permanência dos edifícios, acrescentam a vulnerabilidade do corpo humano, jogando com os limites físicos dos espaços. À escuridão de uma sala de teatro, preferem aqui experimentar o clarão de uma vila.

Os espectáculos são uma construção colectiva e silenciosa, em grande proximidade com as populações. Arquitecturas efémeras de corpos em equilíbrio, onde os encontros entre artistas e desconhecidos são solidários, frágeis e sentimentais.

Visto a companhia ser, ela mesma, uma ode à diversidade - várias nacionalidades, mulheres, homens, jovens e mais experientes, mais esguios e mais robustos - esperamos nos dois grandes rendez-vous, um intercâmbio poético e cultural, uma aventura repleta de tesouros escondidos, que possam ecoar na memória de todos os que pertencem ou visitem o Alto da Serra e a Costa Vicentina.
Fonte: Lavrar o MarLesVoyages2LesVoyages3