O meu despertar em Raymond Street

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Na passada Quarta feira à noitinha andava eu a passear com o meu Pedro

– Amanhã tenho de ir a Olhão ver como está a casa e quero ir ver o Mário Zambujal na Biblioteca. Marquei uma massagem com a Guida, as minhas costas, preciso mesmo…

Tomámos um café em Quarteira na «Beira Mar», comemos um bolinho que por acaso não me fazia falta nenhuma como veremos mais adiante e de repente – Oh Pedro, e se eu em vez de ir a Olhão, fosse a Dublin?

Querido Pedro, habituado às minhas mudanças súbitas de humor (e de planos), disse apenas: – Boa ideia. Já não vês as crianças há tanto tempo…

Calei-me, voltámos para casa e dali a meia hora tinha reserva, bilhete electrónico, cartão de embarque, tudinho ali em cima da mesa. Não gastei dinheiro para levar uma reles mala porque custa quase tanto como a passagem e estou a ver que nas low cost um dia destes a gente até tem de pagar a máscara de oxigénio e quiçá o colete de salvação amarelo que se encontra debaixo das Vossas cadeiras………coiros!!!) e no dia seguinte toca a andar para Dublin a cavalo na Ryanair.

Avião cheio de velhos, hospedeiras e hospedeiros a venderem-nos um copinho de água, umas sandes medonhas, chocolatinhos, café aguado etc. Depois dos «comeres» apareceram a vender raspadinhas. Volta e meia o captain lá nos dizia para vermos bem a revista deles, uma espécie de La Redoute onde se podia comprar desde uma casa até um par de pantufas.

Por sinal guardei a revista porque a Ryanair anunciava com grande gáudio que uma das suas hospedeiras tinha sido eleita miss não sei de quê e – acreditem se quiserem – a aero-miss – tinha direito a uma página onde aparecia numa pose que me parecia de rabo para o ar numa linda praia lá não sei onde. Uma aero-desgraça…

A coisa lá aterrou, e imaginai os leitores que o taxista que me trouxe para Raymond Street conhecia bem a Quinta do Lago, o golfe de San lourenco e o Royal Course pois costumava ir de férias para V Lobo e Vilasol e eu a pensar ‘’deves ter caído da tripeça com a reviravolta que esta merda toda deu»  e tome lá oito euros. Deixei mais uma gorjeta ao golfista mascarado de taxista e entrei em casa.

Muitos beijos e abraços, querida filha, amado genro, meus netos, jantar, dormir e passou-se.

De manhã, acordei com dois olhinhos muito portugueses num rostinho redondo, que me miravam circunspectos.
– Bom dia Joana, veio ver a vovó a dormir?
-Yes! Me gosta de ti..
– A vovó gosta muito da Joana também.
– Vovó?
-Sim, querida?
– Tu astás munte big! – e abriu os bracinhos rechonchudos.
– Pois… – rosnei eu.
– And vais ficar munte mais more  big.  Like this… – E abria mais os braços.
– Pois! – resfoleguei.
– And then tu andas vais in the coffin…

A conversa não se ficou por ali. Num arrazoado luso-irlandês fez-me ali um enterro e pêras onde não faltou o irmão a perorar sobre as dificuldade que iriam ter em meter-me dentro de um coffin hudge assim..

Foi o meu despertar em Dublin.

Não sei se diga f.. the kids ou se continue a sorrir. Acho que vou sorrir, rir às gargalhadas, rebolar-me, agarrar a barriga porque as crianças são inocentes, a verdade é delas e de facto eu «astou mesmo munta big e um dia destes I go mesmo num coffin- hudge-assim». Não quero pensar nisso, mas eles pensam.

jl

 

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