Ténis | Nigina Abduraimova vence Francisca Jorge e conquista o Oeiras CETO Open

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Nigina Abduraimova deu a volta a Francisca Jorge e sagrou-se campeã do Oeiras CETO Open, o torneio ITF de 60.000 dólares que a Federação Portuguesa de Ténis e o Clube Escola de Ténis de Oeiras organizaram, com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras, entre os dias 23 e 30 de abril.

Mais experiente, a quinta cabeça de série e número 184 do ranking WTA resistiu à investida inicial da tenista da casa — e também ao forte vento que atrapalhou as condições de jogo — e deu a volta à final para triunfar por 1-6, 6-4 e 6-3 após 2h11.

Com as bancadas do Clube Escola de Ténis de Oeiras bem compostas para a oitava e mais importante final individual, Francisca Jorge (314.ª WTA) teve uma entrada fulminante: muito agressiva, a vimaranense de apenas 23 anos conseguiu ‘empurrar’ a adversária, cinco anos mais velha, bem para trás da linha de fundo e aproveitar o espaço ganho para a forçar a muitas deslocações.

O Plano A da jogadora do Centro de Alto Rendimento da Federação Portuguesa de Ténis foi executado na perfeição durante a partida inaugural, mas a segunda ditou uma mudança no rumo dos acontecimentos: com muitas finais nas pernas (a deste domingo foi a 24.ª da carreira) e mais habituada a este nível (chegou a ser 144.ª do ranking em setembro de 2014), Abduraimova foi paciente, não desesperou com a superioridade da tenista ‘da casa’ e reagiu bem ao processo de recuperação.

Com um serviço rápido e muita potência nas duas bancadas do fundo do court, arriscou mais, apontou por muitas vezes às linhas laterais e com um ténis agressivo começou a criar dificuldades a Jorge. Apesar de nunca ter dado a final por perdida, a jogadora de Guimarães baixou o rendimento na pancada de serviço, começou a perder mais pontos na primeira bola e abriu algum espaço a que a oponente do Uzbequistão retaliasse a partir dos jogos de resposta, muito importantes num dia em que também o primeiro serviço de Abduraimova esteve longe do melhor rendimento.

Quebrada em primeiro lugar no parcial decisivo, a portuguesa teve de correr atrás do prejuízo e, apesar de ainda ter devolvido de forma imediata as primeiras duas quebras, não conseguiu repetir a fórmula quando estava obrigada a fazê-lo para não perder o encontro.

Na derradeira entrevista da semana, Francisca Jorge explicou que “não foi fácil” perder a final, sobretudo pela forma como entrou no encontro: “Estava a jogar a um muito bom nível e senti que ela não estava a gostar do que eu estava a fazer. Eu sabia que ela gosta de bater a bola ao nível da cintura, por isso tinha de a forçar a ir para trás porque se estiver a dois ou três metros da linha de fundo não vai conseguir mandar a bola tão chapada e aí eu fico no comando do jogo e consigo abrir ângulos ou meter a bola mais curta, o que a força a subir à rede. Ela é alta e custa-lhe a baixar as pernas, mas entretanto ficou mais competitiva, jogou bem nos pontos importantes e passou a anular um pouco o que eu estava a fazer.”

“Não lidei como gostaria com o facto de ter ganho o primeiro set de uma forma aparentemente tão fácil. Depois o jogo começou a fugir-me devagarinho e isso custou-me. Eu sabia o que tinha de fazer, mas já não estava a resultar tão bem e não foi fácil de lidar com isso, porque ela agarrou-se e acabou o encontro a jogar muito bem”, concluiu a melhor tenista portuguesa da atualidade, que apesar da derrota despediu-se do CETO de cabeça erguida: “Estou a jogar melhor, a mexer-me bem e sinto-me preparada para estas batalhas, por isso podem vir coisas bastante boas daqui para a frente.”

Nigina Abduraimova, por sua vez, ergueu o 13.º e mais importante troféu da carreira e não escondeu a satisfação: “Estou mesmo muito, muito contente e aliviada por ter ganho este título. É um torneio importante que significa muito para mim e estou muito agradecida.”

A jogadora do Uzbequistão marcou presença numa final internacional pela 24.ª vez e explicou como é que deu a volta à final: “O primeiro set foi muito complicado e confuso porque ela jogou bem e também porque estava muito vento. Mas depois tentei abstrair-me do apoio do público, tornei-me mais paciente, esperei pelo meu momento e aos poucos consegui impor o meu jogo e dar a volta.”

FPT