ComparaJá | Crédito à habitação cresce, mas falta de casas pressiona mercado

0
108
ComparaJá-Crédito-Habitação

O mercado imobiliário português continua a desafiar os portugueses que procuram comprar casa. Mesmo com taxas de juro relativamente estáveis e crédito à habitação mais acessível, o equilíbrio entre procura, oferta e capacidade financeira das famílias parece cada vez mais difícil de atingir.

Nos últimos meses, os novos contratos de crédito à habitação mantiveram-se em níveis elevados, refletindo confiança dos bancos e a persistente procura por imóveis. De acordo com o relatório mensal de crédito habitação do ComparaJá, o montante médio financiado pelos portugueses continua acima dos valores registados em 2025, e a escolha de produtos de crédito mais flexíveis, como a taxa variável, tem vindo a aumentar.

No entanto, esse crescimento não significa que comprar casa seja mais fácil. Pelo contrário: muitas famílias estão a esticar as suas poupanças ao máximo, aumentando prazos de financiamento (já na média de 32 anos) e comprometendo uma fatia significativa do seu rendimento mensal para conseguir entrar no mercado.

Se o crédito é acessível, por que comprar casa continua tão difícil? A resposta está na escassez de imóveis disponíveis. Lisboa, Porto e outras áreas metropolitanas continuam a sofrer com falta de oferta de casas novas e em boas condições, enquanto zonas periféricas têm preços relativamente mais acessíveis mas menor diversidade de opções.

Essa escassez cria um efeito de pressão nos preços: mesmo com juros moderados, os compradores veem-se a competir por cada imóvel disponível, o que mantém os preços elevados e em tendência de crescimento.

O resultado desta combinação de crédito em alta, poupanças esticadas e oferta limitada é que muitas famílias acabam por adiar a compra da primeira casa ou aceitar compromissos financeiros de longo prazo. Rita Sogalho, Team Leader de crédito habitação no ComparaJá “alerta que esta situação pode aumentar a vulnerabilidade das famílias a mudanças económicas, como uma subida da Euribor ou um aumento da inflação”.

Além disso, a escassez habitacional também limita a mobilidade e pode pressionar o mercado de arrendamento, criando um efeito dominó em toda a economia.

Ainda assim, existem algumas soluções que podem ajudar a mitigar este problema. Entre elas destacam-se o investimento em habitação social e a criação de incentivos à construção privada, com o objetivo de aumentar a oferta de imóveis a preços acessíveis. Paralelamente, a flexibilização das condições de crédito para jovens e famílias com menor capacidade de poupança pode contribuir para reduzir a pressão financeira no acesso à habitação. Por fim, o reforço do planeamento urbano e a aposta em políticas de reabilitação urbana podem permitir aproveitar imóveis já existentes, ajudando a diminuir a escassez de habitação nas zonas de maior procura.

Enquanto estas medidas não se consolidam, a realidade é clara: em Portugal, comprar casa continua a ser um jogo de paciência, estratégia financeira e sorte. Para muitos, o desafio não é apenas o crédito, mas conseguir encontrar um imóvel que não ultrapasse os limites do orçamento familiar.

ComparaJá