Pe. Miguel Lopes Neto, diretor da Pastoral do Turismo, proferiu a conferência final e subscreveu o Manifesto San Salvador
A Pastoral do Turismo – Portugal, organismo da Conferência Episcopal Portuguesa para o turismo, esteve presente no Congresso Internacional de Turismo Religioso “Tierra de Fe Viva – El Salvador 2026”, que decorreu em San Salvador, entre 8 e 10 de julho, na Biblioteca Nacional de El Salvador (BINAES).
O encontro reuniu especialistas, responsáveis eclesiais, académicos, comunicadores, agentes turísticos e representantes institucionais de vários países, num espaço de reflexão sobre o presente e o futuro do turismo religioso — entendido não apenas como deslocação, mas como experiência de fé, cultura, encontro e memória.
O Pe. Miguel Lopes Neto, diretor da Pastoral do Turismo – Portugal, foi convidado a proferir a conferência final do congresso, partilhando a experiência portuguesa no acompanhamento pastoral dos caminhos, santuários, comunidades e lugares de fé.
A presença portuguesa assumiu um significado particular, por ter sido a Pastoral do Turismo – Portugal a única pastoral do turismo europeia presente no congresso. Mais do que uma representação institucional, esta participação foi vivida como gesto de comunhão, escuta e partilha com outras realidades eclesiais e culturais, sobretudo da América Latina.
No âmbito do encontro, a Pastoral do Turismo – Portugal participou também na assinatura do Manifesto San Salvador, documento que propõe um turismo religioso capaz de humanizar, transformar e contribuir para o desenvolvimento dos territórios.
O Manifesto sublinha que o turismo religioso não se limita a visitar lugares sagrados: é uma experiência que envolve encontro, memória, espiritualidade, cultura e comunidade. Alerta ainda para os riscos da mercantilização, da banalização e da perda de sentido dos espaços sagrados, defendendo modelos que respeitem a identidade dos lugares e reconheçam as comunidades locais como guardiãs do património e protagonistas do seu desenvolvimento.
Para a Pastoral do Turismo – Portugal, esta reflexão toca uma dimensão essencial da vida da Igreja: os seus lugares não guardam apenas uma história institucional. Nas igrejas, santuários, romarias, peregrinações e tradições de fé estão inscritas as histórias de tantas pessoas, famílias e gerações que, ao longo dos séculos, ali rezaram, agradeceram, choraram, prometeram, esperaram e transmitiram a fé.
Como afirmou o Pe. Miguel Lopes Neto, “quando entramos numa igreja, não encontramos apenas pedras, arte ou história. Encontramos a vida de tantas pessoas e famílias que ali rezaram, agradeceram, choraram, prometeram, esperaram e transmitiram a fé aos seus filhos”.
Vivido com respeito, o turismo religioso pode tornar-se uma forma de escuta, encontro e evangelização; uma oportunidade para valorizar o património, cuidar das comunidades e reconhecer que cada lugar de fé continua a falar à vida concreta das pessoas.
A participação da Pastoral do Turismo – Portugal em El Salvador reforça, assim, o compromisso de colocar no centro do turismo religioso não apenas os lugares, mas as pessoas; não apenas a visita, mas o sentido; não apenas a história da Igreja, mas a memória viva das comunidades que, geração após geração, fizeram desses lugares casa, caminho e esperança.
Pastoral Turismo




