O resultado procurou encaixar-se na “tragicomédia minhota”. Num filme que trata da velhice, do amor, das memórias passadas e do que ainda resta para sonhar, de mãos dadas com o rural e popular.
Essas ideias transpõem-se para o disco, que arranca com “Tango Surdina”. Aqui, o compasso da guitarra clássica que ordena o tango encontra-se com a elétrica, cujo som recorda os Dead Combo, dos quais faz parte. Desta vez, sozinho, decidiu aventurar-se no piano — uma estreia para Tó Trips. Fê-lo de maneira a conferir o tradicional e popular, associação a essa velhice retratada no filme. O piano continua a marcar o registo na segunda faixa (“A Idade dos Pássaros”), vincando a camada nostálgica que a guitarra já carrega.
Como em “Ínfimas Coisas” e “Caminhada”, onde só há espaço para as cordas que se vão misturando e sobrepondo, num dedilhado que transporta o ouvinte (aqui mais do que nunca) para a memória sonora tradicional de um país. Debaixo das camadas criadas por esses instrumentos, surge, em “Fado do Manco” e “Rádio Cigano”, o acordeão, criando a atmosfera vigente em cada um dos temas: algo taciturna no primeiro, esperançosa na segunda (com a ajuda da percussão que se destaca pela primeira vez).
Num exercício a solo de Tó Trips, a banda sonora de “Surdina” parece contar uma história por si só — mas, acompanhando a imagem, nunca se sobrepõe a esta.
9 de julho (sessão dupla) – Cinema Trindade, Porto
15 de julho (alteração de data) – NOS Amoreiras, Lisboa
16 de julho – Festival dos Canais, Aveiro
Banda sonora de Surdina disponível amanhã (10/07) em todas as plataformas de streaming.
Vinil à venda no Bandcamp da Revolve.
Resolve




