Um Conto de Natal

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No dia 6 de Dezembro, dois irmãos, o Miguel e a Sofia, passeavam tristes pelas ruas da cidade. Viam as luzes e as decorações de Natal, sabiam que se aproximava o dia em que todas as crianças iam receber presentes, e eles sabiam que a sua família estava a passar por dificuldades, um tempo mais difícil e que, nesse ano, os presentes iriam ser apenas um sonho distante, na realidade, a mãe dizia-lhes que já seriam muito felizes por ter o que comer.

Os dias passaram e mais uma vez, na noite da véspera de Natal, o Miguel e a Sofia decidiram dar um passeio pela cidade, viam as luzes de Natal a iluminar as casas, e o cheiro de biscoitos e bolinhos deliciosos pairava no ar. Quando passaram pelo Até à Lua, encostaram a cara no vidro e os seus olhos brilharam ao ver os brinquedos e livros. A grande árvore estava decorada com enfeites coloridos, as luzinhas piscavam e parecia que tudo lá dentro era feito de magia.

– Olha, Sofia! – disse o Miguel, com a esperança a brilhar no olhar– Aquele brinquedo parece tão divertido! E aqueles livros… Devem ter histórias incríveis!. A Sofia sorriu ao irmão mais novo:

  • Sim, mas tu sabes que este ano não podemos ter nada disso, Miguel. A mãe já disse que o importante é estarmos juntos neste Natal.

Mas mesmo a Sofia não conseguia descolar os olhos da loja, ela via os jogos e sonhava poder jogar cada um deles com os amigos. Enquanto os dois estavam distraidos, espreitando a porta fechada, uma brisa suave passou, e o som de sinos encantadores ecoou. Para a surpresa dos irmãos, o Pai Natal apareceu dentro da loja, com seu casaco vermelho e uma risada calorosa:

  • Ho, ho, ho! Olá, crianças! O que estão a fazer aqui nesta noite mágica? Não deviam estar em casa com a família para receber o Pai Natal?

O Miguel e a Sofia estavam maravilhados e nem acreditaram no que os seus olhos estavam a ver. Atrapalhados explicaram ao senhor das barbas brancas as suas preocupações sobre o Natal desse ano, e disseram-lhe que a mãe os tinha deixado sair para dar uma volta, já que este ano não haveria dinheiro para prendas na sua casa.

O Pai Natal escutou atentamente e, após um momento de reflexão, disse:

  • Sabem que o Natal não é sobre presentes, é sobre amor, partilha e momentos especiais, tal como diz a vossa mãe. Mas posso ver que têm corações generosos que se portaram bem o ano inteiro, e isso é o que torna o Natal tão especial!

Com um gesto mágico, o Pai Natal acenou com a mão, e o Até à Lua brilhou ainda mais. De repente, por magia, os dois irmãos estavam lá dentro, onde tudo parecia ainda mais encantador. O Miguel e a Sofia ficaram de boca aberta ao ver os brinquedos ganhar vida e os livros a contar as suas histórias sozinhos, era como se o Nuno e a Joana também lá estivessem, mesmo a loja estando vazia.

  • Vá, vá, não se distraiam, escolham um presente para cada um! – disse o Pai Natal– não quero ver caras tristes neste Natal e o melhor presente é mesmo o amor que vocês partilham.

Os irmãos olharam para os brinquedos, jogos e livros, mas em vez de escolherem algo apenas para si, decidiram escolher um livro com uma história bonita que poderiam ler com os amigos e um jogp para jogar com outras crianças da cidade. Assim todos teriam presentes naquele Natal. Com uma nova magia, o Miguel e a Sofia voltaram a aparecer no lado de fora da loja, mas desta vez com sorrisos sinceros e presentes nas mão, sentiam-se felizes e realizados, mas mais importante do que isso, sabiam que tinham nas mãos as prendas mais importantes do Natal, aquelas que iriam partilhar com toda a gente para que ninguém tivesse de passar um Natal sem prendas.

O Pai Natal acenou para eles enquanto voava no seu trenó puxdo por renas:

– Lembrem-se sempre, o Natal é partilha e amor! Que o espírito do Natal esteja sempre nos vossos corações!

Naquela noite, ao voltarem para casa, o Miguel e a Sofia perceberam que, mesmo sem ter muita coisa tinham algo muito mais valioso: o amor da família e a alegria de partilhar.

E foi assim que aquele se tornou no único Natal que nunca mais esqueceram e que lhes ensinou que a maior prenda que podemos dar é a magia e a união.

Até à Lua